28 de março de 2025 - 0:57

STF: Bolsonaro, Tarcísio e Eduardo em ritmo de barbárie. Houve até ameaças

Que coisa? Vamos ler o que ele disse na quinta?
O Brasil veio se tornando referência no que diz respeito… em termos de velocidade de apuração, de tecnologia, ou seja: muitos países têm que olhar para o Brasil e ver o que está sendo feito aqui. E o Brasil, então, se tornou, de fato, uma grande referência. A gente tem que olhar toda essa preparação que acontece, todo esse empenho, todo esse trabalho, toda essa logística. E, em pouco tempo, os dados são contabilizados, a gente tem a proclamação de um resultado, a diplomação é e isso, de fato, que garante a representatividade. E a gente tem hoje então que fazer o agradecimento eleitoral por todo esse trabalho, por todo esse empenho, né?, como garantidora da democracia brasileira”

Diga aí, leitor: você acha que Tarcísio elogiou ou não as urnas? Afinal de contas, que é o dono das suas opiniões?

ABERRAÇÕES
O mero juízo de admissibilidade das denúncias, que começa hoje, insisto, já nasce histórico. Mas não se esqueçam do buraco sem fundo que também nos espreita. Tarcísio e Bolsonaro passaram quase quatro horas no programa. E a pretensão óbvia de ambos era negar que tenha havido uma urdidura golpista. A propósito: chega a ser cômico ouvir o governador a afirmar que jamais fora convidado para uma aventura de ruptura da ordem, como se pudesse dizer outra coisa e como se esse testemunho competisse com as provas. Mas vá lá…

De toda sorte, estavam ali para excitar as ruas bolsonaristas, mas também, parece-me, par abrir um diálogo, ainda que remoto, com o Supremo, E eis que Eduardo Bolsonaro, o fugitivo entra no programa, lá do Texas. E afirma:
“Eu já não acredito mais que exista saída, não só para Jair Bolsonaro, mas para todas as pessoas simples que estão sendo condenadas a até 17 anos de cadeia por conta do 8 de janeiro. Você pode botar o Rui Barbosa para advogar a favor do Bolsonaro que ele não vai se livrar de uma condenação. Então, com tudo isso aí em mente, né?, o que é que a gente faz? Eu, pelo menos, sigo o exemplo do Trump: o Trump já sabia desse jogo de cartas marcadas. Então ele apostou tudo na política, que é o quê? Levar a voz dele ao maior número de pessoas possível. Se o Bolsonaro perder o capital político dele, já era! O Alexandre de Moraes vai trancafiar ele na cadeia e vai jogar a chave fora. Ou, quando não, ele próprio sabe, ele pode ser vítima de um assassinato. E vão falar: “Whoops, mais um assassinato numa cadeia latino-americana’… Uma narrativa fácil de você vender mundo afora. Então, isso aí acontecendo, o meu principal objetivo, enquanto deputado parlamentar, que ainda sou, né? — deputado federal, tou licenciado –, é acabar com essa injustiça. A pauta número um é brecar um psicopata chamado Alexandre de Moraes (…). E a gente tem, sim, que constranger todos aqueles que apoiam esse tipo de regime”.

Noto que Eduardo logo terá de criar uma versão de extrema direita da Carmen Miranda e, com bananas na cabeça, cantar: “Andam dizendo que estou americanizada…”. Ele já não diz “opa!”, mas “Whoops”, e a América Latina, para ele, começa a se parecer com aquela terra ignota, hostil. A gente já sabe que ele apoia, é claro!, o projeto contra imigrantes, especialmente o que não são sócios de uma “holding”…

O pré-presidenciável Tarcísio, que tinha ido ao podcast para, sei lá, ajudar talvez a amenizar os contornos do golpista, ouviu o filho do presidente a dizer que o esforço da dupla ali era inútil, que o ministro-relator é um psicopata e que a única saída é o confronto. Observem que a fala do “ainda deputado” não deixa margem para interpretações alternativas: se houver condenação, não se pode aceitar o resultado. E, como ele diz, será preciso “constranger todos aqueles que apoiam esse tipo de regime”. O que isso quer dizer? Luta armada? E Tarcísio deve de ficar calado.

noticia por : UOL

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