Foi uma metralhadora de mentiras. Ele falou com um cinismo atroz da sua inelegibilidade sentenciada pelo TSE e disse que não fez nada demais ao convocar embaixadores estrangeiros para atacar o sistema brasileiro de votação; disse que discutir golpe de estado com militares não é crime porque teria ficado no campo da hipótese; falou sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, tentando misturar de forma confusa com a esfarrapada narrativa bolsonarista de que faltam vídeos das câmeras do Planalto daquele dia.
Atacou a inteligência alheia ao tentar vender o álibi de que estava nos Estados Unidos e, portanto, não teria como ter relação com o 8 de janeiro; ressuscitou a denúncia de fraudes nas eleições com base em vozes da cabeça dele e atacou a urna eletrônica, ironicamente, um dia depois de Donald Trump ter assinado um decreto em que elogia a urna brasileira; disse que a Justiça jogou contra ele e disse que a campanha para que jovens tirassem os títulos foi para ajudar Lula.
Também fez a conhecida autopromoção de seu governo; reclamou que não pode mostrar imagens do enterro da rainha Elizabeth 2ª na sua campanha; comparou o Brasil à Venezuela, ignorando que é rica a comparação entre seu comportamento e o de Nicolás Maduro; e, básico, atacou a imprensa.
Isso não esgota, é apenas um aperitivo. Mas imagine isso dito de forma bolsonaresca, com um tom de emoção acima do normal e com partes sem sentido.
Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado era algo esperado, mas a contundência do STF deve ter assustado o ex-presidente. Assustado, ele voltou às raízes.
A partir de agora, ele se debruça sobre duas perguntas: 1) ele topa ser preso em caso de provável condenação ou fugirá para o exterior? e 2) vale mais empurrar uma candidatura fictícia e, no final, colocar seus filhos Eduardo ou Flávio para concorrer ao Palácio do Planalto ou abençoar um aliado mais competitivo que pode, se eleito, lutar por seu perdão, mas transferir de vez a sua liderança?
noticia por : UOL