30 de março de 2025 - 16:24

Brasileiro é preso sob suspeita de tráfico de centenas de pessoas para os EUA

Um brasileiro foi preso nos Estados Unidos sob a suspeita de integrar uma rede criminosa transnacional que teria traficado centenas de pessoas do Brasil para os EUA.

Flavio Alexandre Alves, conhecido como Ronaldo, de 41 anos, foi detido em Worcester, Massachusetts, segundo informou o Departamento de Justiça dos EUA nesta segunda-feira (24). A reportagem não conseguiu localizar a defesa dele.

De acordo com a queixa criminal, Alves é acusado de conspiração para levar imigrantes aos EUA e transportá-los dentro do país com fins lucrativos. Documento do departamento diz que ele comprava passagens aéreas para os imigrantes e enviava dinheiro ao México para cobrir custos da travessia. Ele Também teria cobrado taxas dos transportados.

Alves já havia sido condenado por tráfico humano na Califórnia em 2004 e deportado ao Brasil em 2005. Segundo o Departamento de Justiça, ele voltou ilegalmente aos EUA e residia no país de maneira irregular.

Ele compareceu nesta quarta-feira (26) a tribunal federal em Worcester e permanecerá detido até a audiência de custódia, marcada para sexta-feira (28).

Entre maio de 2021 e agosto de 2022, Alves teria comprado mais de cem passagens aéreas de Tucson e Phoenix para cidades como Boston, Pittsburgh, Harrisburg e Filadélfia. Algumas das passagens foram adquiridas para imigrantes recém-libertados pela Patrulha de Fronteira dos EUA.

A prisão de Alves fez parte de uma operação conjunta entre autoridades dos EUA e do Brasil, batizada de Hancórnia. A Polícia Federal brasileira cumpriu mandados de busca e prendeu um suposto comparsa no Brasil.

A operação investiga uma organização criminosa especializada no contrabando de migrantes brasileiros, especialmente do Maranhão para os EUA.

Segundo a PF, o grupo aliciava moradores de várias cidades maranhenses e organizava a travessia ilegal por meio de rotas na América Central. As vítimas pagavam valores altos pela viagem e, muitas vezes, contraíam dívidas com juros abusivos. A investigação identificou centenas de vítimas, incluindo crianças e adolescentes. Empresas de fachada seriam usadas para lavar o dinheiro obtido com o esquema.

Mais de 50 policiais federais cumpriram 16 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva nos estados do Maranhão, Minas Gerais, Rondônia, Distrito Federal e Espírito Santo. A Justiça Federal determinou o bloqueio de cerca de R$ 14 milhões em bens e ativos dos investigados.

Nos EUA, quatro pessoas ligadas à organização foram detidas por violações administrativas de imigração.

O caso está sob responsabilidade da Joint Task Force Alpha, força-tarefa do Departamento de Justiça focada no combate a redes de tráfico humano que operam na América Latina.

Segundo a entidade, desde sua criação, mais de 355 pessoas já foram presas por envolvimento nesse tipo de crime.

noticia por : UOL

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