6 de março de 2026 - 4:15

Trump merece impeachment por tarifas contra o Brasil, diz nobel da economia

Na carta em que notificou o Brasil sobre as tarifas, Trump chama de “caça às bruxas” e “vergonha internacional” o julgamento do ex-presidente brasileiro Jair Messias Bolsonaro, réu em um processo que investiga a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, entre outros crimes. Bolsonaro nega os crimes e acusa o judiciário de perseguição política, narrativa que a Casa Branca passou a encampar publicamente nos últimos dias. O Supremo Tribunal Federal nega que haja descumprimento de qualquer preceito do devido processo legal no caso do ex-presidente.

“Observe que Trump mal finge que há uma justificativa econômica para essa ação. Trata-se apenas de punir o Brasil por levar Jair Bolsonaro a julgamento”, escreve Krugman, notando a semelhança entre o que aconteceu no Brasil em 8 de janeiro de 2023 e o ataque ao Capitólio por trumpistas em 6 de janeiro de 2021. A vitória de Trump nas urnas encerrou os processos judiciais a que ele respondia por tentar subverter o resultado da eleição que perdeu, em 2020. No Brasil, Bolsonaro, que adotou o mesmo discurso trumpista sobre fraudes eleitorais – jamais comprovadas em nenhum dos dois países – deve ser julgado pela primeira turma do STF até o fim do ano.

Mas, para Krugman, as taxas têm também pouca chance de sucesso para pressionar o Brasil politicamente – e por isso ele as qualifica como “megalomaníacas”. “Essas exportações (brasileiras) para os EUA representam menos de 2% do PIB brasileiro”, escreve Krugman. “Trump realmente imagina que pode usar tarifas para intimidar uma nação enorme, que nem sequer depende muito do mercado americano, a abandonar a democracia?”, questiona ele, conhecido crítico do trumpismo.

Os Estados Unidos são o segundo mais importante parceiro comercial do Brasil. Ao contrário do que dizia a carta de Trump, que citava um “insustentável déficit” dos americanos, os Estados Unidos tiveram superávit na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, o que implica em potencial dano maior à economia americana do que à brasileira. O impacto, porém, deve ser grande para alguns setores da indústria nacional, como a siderurgia.

“Se ainda tivéssemos uma democracia em funcionamento, essa manobra do Brasil seria, por si só, motivo para impeachment. É claro que teria que ficar na fila atrás de todos os outros motivos”, conclui o economista, ex-colunista do jornal americano New York Times. “De qualquer forma, não ignore isso. Estamos diante de mais um passo terrível na espiral descendente do nosso país”, diz.

noticia por : UOL

6 de março de 2026 - 4:15

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