6 de março de 2026 - 8:20

Trump pede fim de 'déficit insustentável', mas EUA tem superávit com Brasil

Em 2024, os americanos foram o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, com as exportações brasileiras para os EUA atingindo US$ 40,3 bilhões e as importações, US$ 40,5 bilhões —uma das menores distâncias registradas no comércio bilateral, mas ainda vantajosa para os americanos. O mesmo aconteceu em 2022 e 2023.

Por esse motivo, aliás, a diplomacia brasileira acreditava que o país poderia ser poupado na guerra tarifária de Trump, já que o aumento de barreiras alfandegárias tende a ferir mais os empresários americanos do que os brasileiros. As tarifas anunciadas hoje devem entrar em vigor em 1º de agosto, caso nenhum acordo comercial seja atingido até lá ou o prazo não seja protelado pela Casa Branca.

A imposição dessas tarifas é também justificada pela alegada perseguição política do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que é réu por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito entre outros crimes. Na carta ao governo do Brasil, Trump chama a situação de “caça às bruxas”, mesmo termo que tem usado em postagens em redes sociais desde segunda. Trump cita ainda o que considera medidas de censura a cidadãos americanos, em referência às decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal para a retirada do ar de conteúdos classificados como fake News ou discurso de ódio pela Corte nas redes sociais.

O erro da carta americana gerou piada entre diplomatas brasileiros, que disseram que o governo Trump estaria “errado tanto sobre Bolsonaro quanto sobre o déficit”. O texto é parecido com o que foi divulgado em outras cartas, como as enviadas para países asiáticos, com quem os EUA efetivamente têm déficit.

O Brasil ainda não respondeu às tarifas e disse que qualquer medida contra produtos americanos ainda está em estudado. Um embaixador disse à coluna que lamentava o fato de as tarifas terem sido anunciadas enquanto os países estavam negociando as tarifas em nível técnico, em reuniões virtuais.

noticia por : UOL

6 de março de 2026 - 8:20

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