Análise dos dados requer cuidado
Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), as razões da queda na cobertura vacinal na última década são multifatoriais, mas têm relação com o próprio sucesso das vacinas.
Como os imunizantes controlam a incidência das doenças, a percepção de risco cai e as pessoas deixam de buscar a imunização, explica. Além disso, desinformação e dificuldades de acesso também contribuem para a queda nas taxas, diz o médico.
Ainda assim, Kfouri lembra que a lista da OMS e do Unicef considera apenas números absolutos. Isso significa que não mostra quantas crianças estão sem a dose zero proporcionalmente à população infantil de cada País. Ou seja, não se trata de um cálculo percentual, mas de números brutos. Como o Brasil tem uma população muito grande, acaba aparecendo em posições mais altas.
O especialista também aponta que, apesar de ser um indicador importante, existem restrições em relação à precisão dos dados, que são retroativos e destoam dos registros do próprio Ministério da Saúde, os quais indicam um aumento na cobertura vacinal. “Eles não estão em sintonia com os nossos dados, que mostram que temos mais crianças vacinadas do que em 2022, 2023 e 2024”.
O médico ressalta, porém, que isso não exclui a possibilidade de existirem crianças à margem, não inseridas no sistema de saúde, sem receber as doses da vacina.
noticia por : UOL





