7 de março de 2026 - 5:49

Preta Gil: quando a arte é sinônimo de luta

Por volta de 1996, o trabalho intenso contribuiu para que Preta se percebesse com 100 quilos, “do dia para a noite, me percebi muito gorda. Me lembro do dia do batizado do Francisco e do aniversário de 1 ano. Comentavam comigo: ‘Preta, você está sem pescoço'”. Era o começo de mais outra luta, dessa vez, contra a gordofobia.

Sete anos depois, em 2003, na sua estreia como cantora, por meio do álbum Prêt-à Porter (“Pronta para vestir”, em francês), Preta pousou nua na capa do seu disco e se declarou bissexual à revista Trip, o que foi tomado pela imprensa e pelo público da época como motivação de ataques gordofóbicos e bifóbicos.

Mais uma vez, Pretinha enfrentava um turbilhão de ofensas, inclusive a partir da internet, por meio de uma comunidade no Orkut, que promovia o ódio contra a sua pessoa. “Eu pensava: Como assim? Me odeiam por qual motivo? Me conhecem?”

Neusa Santos Souza afirma que “tornar-se negro” também é um processo, inclusive de muita dor, porque envolve reconhecer as violências que transpassam a leitura da cor da pele e os mecanismos de hierarquização, opressão e segregação que advém dessa leitura.

Ainda em sua autobiografia, Preta falou sobre como se sentiu envergonhada durante uma palestra em Salvador, em 2016, quando utilizou palavras e expressões inadequadas ao se referir às pessoas negras. “Foi muito profundo. Mexeu tanto comigo que comecei uma busca por mim mesma e por essa minha negritude.”

Inegociável na liberdade de ser quem se é, Preta seguiu falando contra a gordofobia e lgbtqiapn+ fobias, numa luta tão coletiva quanto histórica por um mundo mais equitativo, inclusivo e justo para todas as pessoas.

noticia por : UOL

7 de março de 2026 - 5:49

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