A Corporation for Public Broadcasting (CPB, na sigla em inglês), corporação que há quase 60 anos financia parte da mídia pública dos Estados Unidos, anunciou nesta sexta-feira (1º) que encerrará suas atividades após cortes de recursos federais no governo de Donald Trump. A decisão ameaça o funcionamento de emissoras de rádio e televisão locais, que dependem dos repasses para suas atividades.
O anúncio foi feito após a Câmara dos EUA, sob controle do Partido Republicano, aprovar no mês passado o corte de US$ 9 bilhões em gastos com mídia pública e com ajuda externa. O pacote eliminou, entre outros pontos, US$ 1,1 bilhão que seriam destinados à CPB ao longo dos próximos dois anos.
“Apesar dos esforços extraordinários de milhões de americanos que telefonaram, escreveram e enviaram petições ao Congresso para preservar o financiamento federal da CPB, agora enfrentamos a difícil realidade de encerrar nossas operações”, escreveu a presidente da corporação, Patricia Harrison, em nota.
“A mídia pública tem sido uma das instituições mais confiáveis da vida americana, proporcionando oportunidades educacionais, divulgando alertas de emergência, estimulando o discurso civilizado e a conexão cultural em todos os cantos do país”, continuou Harrison.
A CPB informou que a maior parte de seus funcionários será desligada até o final de setembro. Apenas uma equipe reduzida continuará no cargo até janeiro de 2026 para concluir o processo de fechamento.
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Criada pelo Congresso dos EUA em 1967, a CPB repassava anualmente mais de US$ 500 milhões à PBS (Public Broadcasting Service), à NPR (National Public Radio) e a mais de 1.500 emissoras locais de rádio e televisão sem fins lucrativos. A PBS e a NPR, entretanto, não são dependentes da CPB e continuarão com suas operações.
O presidente Donald Trump e vários de seus aliados republicanos são críticos do financiamento da mídia pública, descrevendo-o como um gasto desnecessário. Eles também acusam as emissoras de investirem em uma cobertura enviesada contra a direita.
O governo Trump ainda iniciou um processo judicial contra três integrantes do conselho da CPB que se recusaram a deixar os cargos depois de tentativas do governo de destituí-los.
Desde que voltou à Casa Branca, o republicano tem exercido pressão contra a imprensa e grandes grupos de mídia, incluindo a Paramount, que controla a emissora CBS News, e a Disney, dona da ABC News, devido à publicação de reportagens críticas ao seu governo.
No começo do mês, a Paramount, controladora da rede CBS, chegou a um acordo para pagar US$ 16 milhões (R$ 87,2 milhões) a Trump no âmbito de um processo relacionado a uma entrevista com a então vice-presidente Kamala Harris exibida no programa 60 Minutes, em outubro do ano passado.
Kamala e Trump estavam no meio da corrida à Presidência, vencida pelo republicano. Ele acusou a empresa de manipular o conteúdo exibido.
Em dezembro, a ABC News chegou a um acordo para pagar US$ 15 milhões (R$ 81 milhões) à futura fundação presidencial e a um museu determinado por Trump para encerrar uma ação de difamação movida por ele após declarações feitas no ar pelo principal âncora da rede, George Stephanopoulos.
noticia por : UOL





