7 de março de 2026 - 0:07

Assembleia Geral da ONU apoia futuro Estado palestino, mas sem Hamas

A Assembleia Geral da ONU votou, nesta sexta-feira (12), a favor da “Declaração de Nova York“, destinada a dar um novo impulso à solução de dois Estados para Israel e Palestina, mas que exclui a participação do Hamas.

O texto, que teve 142 votos favoráveis, 10 contrários (incluindo Israel e Estados Unidos) e 12 abstenções, condena o Hamas, cujo ataque sem precedentes ao território israelense em 7 de outubro de 2023 desencadeou a guerra em Gaza, e exige que o grupo terrorista deponha as armas.

Embora Israel critique há dois anos a incapacidade dos organismos das Nações Unidas de condenar os ataques de 7 de outubro de 2023, o texto preparado por França e Arábia Saudita é taxativo. “Condenamos os ataques perpetrados em 7 de outubro pelo Hamas contra civis”, afirma. “O Hamas deve libertar todos os reféns” ainda sob seu poder em Gaza.

A declaração estabelece que a facção não pode mais ter nenhuma soberania sobre Gaza. “No contexto da finalização da guerra em Gaza, o Hamas deve deixar de exercer sua autoridade sobre a Faixa de Gaza e entregar suas armas à Autoridade Palestina, com o apoio e a colaboração da comunidade internacional, em conformidade com o objetivo de um Estado palestino soberano e independente.”

A votação antecede uma próxima cúpula da ONU, copresidida por Riad e Paris, em 22 de setembro em Nova York, na qual o presidente da França, Emmanuel Macron, promete reconhecer formalmente o Estado palestino.

“O fato de que a Assembleia Geral finalmente apoie um texto que condena diretamente o Hamas é significativo”, embora os israelenses digam que “é pouco demais e tarde demais”, afirmou Richard Gowan, do International Crisis Group.

“Agora, pelo menos, os Estados que apoiam os palestinos podem refutar as acusações israelenses segundo as quais apoiam implicitamente ao Hamas”, declarou à AFP. Isto “oferece um escudo contra as críticas de Israel”, adicionou.

Além da França, outros países anunciaram sua intenção de reconhecer formalmente o Estado palestino durante a semana de discursos dos líderes na Assembleia Geral da ONU.

O gesto é visto, além disso, como uma forma de aumentar a pressão sobre Tel Aviv para que encerre o conflito.

Na expectativa de um futuro cessar-fogo, a declaração menciona o desdobramento de uma “missão internacional temporária de estabilização” em Gaza, sob mandato do Conselho de Segurança da ONU, para proteger a população, apoiar o fortalecimento das capacidades do Estado palestino e fornecer “garantias de segurança à Palestina e a Israel”.

Aproximadamente três quartos dos 193 Estados-membros da ONU reconhecem o Estado palestino.

No entanto, após quase dois anos de guerra na devastada Faixa de Gaza, a expansão da colonização israelense na Cisjordânia e as intenções de funcionários israelenses de anexar este território ocupado, cresce o temor de que a criação de um Estado independente seja fisicamente impossível.

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, reiterou na quinta-feira (11) que “não haverá um Estado palestino”. Seu principal aliado, os Estados Unidos, já anunciou que o presidente palestino, Mahmud Abbas, não obterá o visto para viajar a Nova York para a Assembleia Geral.

noticia por : UOL

7 de março de 2026 - 0:07

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