6 de março de 2026 - 16:59

Empresas estimam mais de US$ 35 bi em custos com tarifas dos EUA, mas veem situação se estabilizando

Empresas de todo o mundo apontaram mais de US$ 35 bilhões em custos decorrentes das tarifas dos Estados Unidos às vésperas das divulgações de balanços financeiros do terceiro trimestre. No entanto, as perspectivas estão se estabilizando conforme novos acordos comerciais reduzem a exposição às taxas impostas por Donald Trump.

A guerra comercial elevou as tarifas dos EUA a seus níveis mais altos desde a década de 1930, e o presidente tem ameaçado regularmente impor mais tarifas, mas, de modo geral, a névoa que paralisou muitas empresas está se dissipando, permitindo que os executivos prevejam custos e façam planos —incluindo alguns aumentos de preços.

As empresas esperavam um impacto financeiro combinado de US$ 21 bilhões a US$ 22,9 bilhões para 2025, com um impacto de quase US$ 15 bilhões calculado para 2026, de acordo com uma análise da Reuters de centenas de declarações corporativas, registros regulatórios e teleconferências sobre resultados entre 16 de julho e 30 de setembro.

O total de mais de US$ 35 bilhões se compara aos US$ 34 bilhões registrados em maio, logo após as tarifas do “dia da liberação” de Trump em abril terem abalado as cadeias de suprimentos globais.

Muitas empresas reduziram suas previsões anteriores de pior cenário depois que Trump fechou acordos comerciais com a União Europeia e o Japão. Os números combinam estimativas anuais e parciais de um grupo de cerca de 60 empresas.

Os fabricantes franceses de bebidas destiladas Remy Cointreau e Pernod Ricard reduziram as estimativas sobre o impacto das tarifas após o acordo com a UE, enquanto a Sony reduziu sua previsão em agosto. Trump também abriu exceções, com apenas cerca de um terço das exportações do Brasil enfrentando uma tarifa de 50%, por exemplo.

“As tarifas estão ficando cada vez mais claras. E acreditamos que elas serão apenas mais uma variável de nossa equação de negócios que precisamos estar prontos para gerenciar, e o faremos”, disse o presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, à Reuters em uma entrevista em meados de outubro, apresentando novos detalhes de um investimento de US$ 13 bilhões nos EUA. Em julho, a Stellantis alertou para um prejuízo de 1,5 bilhão de euros decorrente das tarifas este ano.

“Acho que existe a sensação de que chegamos a uma espécie de ponto de aterrissagem com alguns dos acordos comerciais bilaterais”, disse o secretário-geral adjunto da Câmara de Comércio Internacional, Andrew Wilson.

“Mas continuará a haver uma complexidade muito maior e uma enorme incerteza.”

No início deste mês, Trump ameaçou impor tarifas adicionais de 100% sobre a China. Na sexta-feira (17), ele disse que as tarifas propostas não seriam sustentáveis e culpou Pequim pelas últimas tensões nas negociações comerciais entre os dois países.

CONSUMIDORES E INDÚSTRIA SÃO OS MAIS AFETADOS

As empresas do índice S&P 500 devem registrar um crescimento de 9,3% nos lucros no período de julho a setembro —uma desaceleração em relação aos 13,8% do segundo trimestre—, segundo dados da LSEG. Grande parte desse avanço vem do setor de tecnologia dos EUA, impulsionado pelos investimentos em IA (inteligência artificial). Na Europa, o índice Stoxx 600 deve marcar alta de 0,5%, bem abaixo dos 4% do trimestre anterior.

O impacto é mais forte em companhias que dependem de países sem acordos comerciais com os EUA.

A Nike, fortemente dependente de fornecedores no Vietnã e em outros países asiáticos, elevou no fim do mês passado sua estimativa de impacto tarifário para US$ 1,5 bilhão, ante US$ 1 bilhão anteriormente. Na Europa, o grupo SEB, fabricante dos utensílios de cozinha Tefal, reduziu sua projeção de lucro, citando a queda na demanda causada pela cautela dos consumidores diante das tarifas. Já a H&M alertou que as tarifas americanas sobre importações devem pressionar ainda mais as margens no trimestre até novembro.

“Estamos cautelosos em relação aos EUA na entrada do quarto trimestre, tanto pelo impacto das tarifas sobre a margem bruta quanto pelo sentimento do consumidor”, disse o presidente-executivo da H&M, Daniel Erver, à Reuters.

O repasse de preços é o efeito mais citado pelas empresas monitoradas pelo rastreador da Reuters.

Montadoras como Ford, Stellantis, Volkswagen e Toyota já registraram custos bilionários relacionados às tarifas. A Ford, por exemplo, espera um impacto acumulado de US$ 3 bilhões.

Ainda assim, o otimismo cresceu entre montadoras e fabricantes de autopeças, à medida que Trump sinalizou uma ampla redução de tarifas sobre a produção automotiva nos EUA —medida que poderia eliminar boa parte dos custos que atingiram as grandes fabricantes.

Empresas farmacêuticas também começaram a fechar acordos sobre preços e produção de medicamentos vinculados a isenções tarifárias nos EUA. Pfizer e AstraZeneca lideram o movimento, e outras devem seguir o mesmo caminho.

Colaboraram Josephine Mason, em Londres, Nora Eckert, em Detroit, e David Gaffen, em Nova York

noticia por : UOL

6 de março de 2026 - 16:59

LEIA MAIS