6 de março de 2026 - 4:15

Negros e pobres são os mais afetados por eventos climáticos extremos, diz estudo

Em Belém, uma pessoa negra tem até 30 vezes mais chances de ser internada por uma doença transmitida pela água contaminada do que uma pessoa branca. A taxa de hospitalização por arboviroses (dengue, zika, febre amarela e outras enfermidades transmitidas por mosquitos) também é sete vezes maior entre os negros do que entre os brancos na capital paraense, que será sede na próxima semana da COP30, a conferência sobre clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

Os dados são do estudo Racismo Ambiental e Injustiça Climática, realizado pelo Instituto Pólis com base nas informações mais recentes do Censo 2022. Além de Belém, a pesquisa contemplou outras três capitais brasileiras: São Paulo, Porto Alegre e Recife.

A conclusão geral do levantamento, que será apresentado na segunda (3), é a de que a população negra, pobre e periférica nas quatro cidades é a que mais sofre com inundações, deslizamentos e doenças relacionadas a eventos extremos do clima.

Segundo a diretora do Instituto Pólis, Cássia Caneco, o estudo deixa claro que “a crise climática aprofunda desigualdades históricas”. “É urgente colocar os territórios e as comunidades mais vulnerabilizadas no centro das políticas públicas.”

A análise foi feita a partir do cruzamento de dados sociodemográficos com indicadores de vulnerabilidade climática e acesso a serviços urbanos. Números sobre coleta de esgoto e lixo, renda, cobertura vegetal, permeabilidade do solo e infraestrutra de drenagem foram analisados na pesquisa que se concentrou em três recortes territoriais: as áreas predominantemente brancas (locais com maior concentração de pessoas que se autodeclaram brancas no quesito raça/cor da pele), as favelas e as áreas de risco.

O levantamento mostra, por exemplo, que em Porto Alegre, enquanto a população negra representa 25,9% do total, ela corresponde a 40,2% dos moradores nas áreas de risco. As chuvas que atingiram a cidade no ano passado evidenciaram essa desigualdade. Segundo o estudo, a renda média em áreas de risco (R$ 2.506,71) equivale a menos da metade da média da cidade, além de concentrar menor acesso a esgoto e infraestrutura de drenagem.

O estudo mostra também que, na comparação entre os censos 2010 e 2022, houve avanço no acesso à rede de esgoto dentro das favelas, embora as taxas de cobertura sigam muito inferiores fora desses locais.

Em São Paulo, o percentual da população com acesso à rede de esgoto nas favelas subiu de 70,5% para 76,9%, mas muito abaixo ainda da média municipal, de 94,6%.

No Recife, a diferença é ainda maior, os chamados “12 Bairros”, que são majoritariamente brancos, têm quase 90% de cobertura de esgoto, índice que despenca para 39% nas favelas da cidade.

O estudo contou com o apoio da Misereor e usou também dados da plataforma UrbVerde.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

noticia por : UOL

6 de março de 2026 - 4:15

LEIA MAIS