6 de março de 2026 - 4:30

Fórum Econômico Mundial avalia tirar evento principal de Davos

Executivos do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) discutem a possibilidade de mudar o local de sua reunião anual —o principal evento da organização— diante da avaliação de que o encontro superou a capacidade da cidade suíça de Davos.

Larry Fink, presidente do conselho da BlackRock e co-presidente interino do conselho do WEF, discutiu reservadamente alternativas que incluem a transferência definitiva do evento ou a adoção de um modelo itinerante.

Entre os locais mencionados estão cidades como Detroit, nos Estados Unidos, e Dublin, na Irlanda.

Segundo pessoas com conhecimento das conversas, Fink defende uma reformulação do fórum, frequentemente criticado por seu caráter elitista e por estar desconectado da realidade. Para ele, o acesso deveria ir além de líderes políticos e empresariais que tradicionalmente participam do encontro.

“O Fórum precisa começar a fazer algo novo: aparecer —e ouvir— nos lugares onde o mundo moderno de fato é construído”, escreveu Fink em um post na segunda-feira (19). “Davos, sim. Mas também lugares como Detroit e Dublin —e cidades como Jacarta e Buenos Aires.”

Embora a liderança do fórum siga reafirmando Davos como a casa simbólica e operacional do evento, que ocorre na cidade há quase seis décadas, há reconhecimento interno de que o local enfrenta desafios logísticos e estratégicos crescentes.

Um executivo de alto escalão que levou três horas e meia no trânsito para chegar à cidade durante a edição deste ano afirma que Davos já não comporta o tamanho do evento.

O debate ocorre em um momento em que o fórum se distanciou de sua origem como um clube restrito a executivos europeus.

Hoje, o encontro de cinco dias reúne dezenas de milhares de participantes, incluindo chefes de Estado, empresários e representantes da sociedade civil, além de eventos paralelos organizados por governos, empresas e grupos de lobby.

Escassez de hospedagem, custos elevados de segurança e infraestrutura limitada já foram apontados por dirigentes do Fórum Econômico Mundial como problemas. A chegada do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump agrava ainda mais as dificuldades logísticas.

Apesar disso, manter o evento na Suíça —e na Europa— segue sendo uma prioridade para parte da liderança do fórum, segundo fontes.

O debate também coincide com mudanças no comando da organização. Fink e André Hoffmann, vice-presidente da Roche, assumiram interinamente a presidência do conselho em agosto.

O fundador do WEF, Klaus Schwab, deixou o cargo em abril após denúncias de irregularidades financeiras e problemas de governança. Uma investigação concluída no ano passado não encontrou condutas criminosas ou ilícitos relevantes, embora tenha apontado algumas irregularidades.

O episódio, no entanto, levou a uma reflexão mais ampla sobre o futuro do fórum, em meio a críticas de que a instituição perdeu relevância e passou a atender excessivamente aos interesses da elite.

Não é a primeira vez que a mudança de local do encontro anual é discutida. Em anos anteriores, Schwab chegou a considerar a transferência da sede do fórum para Dubai.

Oficialmente, porém, o WEF mantém apoio a Davos. Diretores destacam o valor histórico do local e o impacto positivo para o turismo e os investimentos na região. O governo suíço e grandes empresas do país também tendem a resistir a qualquer mudança.

Em nota, o fórum afirmou que “Davos e a Suíça são um local ideal para o WEF” e destacou que realiza o encontro anual na cidade há mais de 50 anos graças à “excelente colaboração com as autoridades” e ao apoio da população local.

A BlackRock não respondeu aos pedidos de comentário.

noticia por : UOL

6 de março de 2026 - 4:30

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