O preço dos contratos futuros do petróleo voltou a subir nesta quinta-feira (19), com analistas embutindo nos preços da commodity os riscos de um ataque dos Estados Unidos ao Irã.
O petróleo Brent, referência global, avançou até 2,36%, cotado a US$ 72,01 o barril na máxima do dia, segundo dados da plataforma Investing. O valor é o maior desde 23 de junho de 2025, quando o Irã atacou bases militares americanas no Qatar e no Iraque.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, também acompanhou o movimento. No pico das negociações, a commodity subiu 2,65%, cotada a US$ 66,78 —maior nível desde agosto de 2025, quando chegou a US$ 67,74.
A alta da commodity reverberou no mercado acionário brasileiro. As ações da Petrobras estão entre as responsáveis pela valorização de mais de 1% da Bolsa de Valores brasileira no pregão desta quinta.
Os papéis ordinários, que dão direito a voto em assembleias e participação nas decisões estratégicas da empresa, chegaram a subir 3,16% no pico do dia. Já as ações preferenciais, que têm prioridade no recebimento de dividendos, mas não dão direito a voto, avançaram até 2,82%.
Nesta semana, os Estados Unidos aceleraram a mobilização militar ofensiva em preparação para um possível ataque ao Irã.
De segunda-feira (16) até quarta-feira (18), foram ao menos 78 aviões de caça e ataque deslocados —mais que o dobro do que já havia nas três principais bases americanas sob a jurisdição do Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA)—, sem contar as 90 aeronaves a bordo do USS Abraham Lincoln.
Nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que decidirá em dez dias o que fazer em relação ao Irã caso não se chegue a um acordo sobre o programa nuclear do país. Ele voltou a ameaçar Teerã com “coisas ruins” se não houver avanços.
Folha Mercado
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Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o cenário eleva o risco no Oriente Médio e sustenta os preços da commodity, que já haviam avançado na quarta-feira (18).
“A alta do petróleo tende a beneficiar empresas do setor e moedas de países exportadores da commodity. No caso do Brasil, o movimento da Petrobras ajuda a impulsionar o Ibovespa e pode contribuir, pela via de fluxo estrangeiro, para o fortalecimento do real.”
Luiz Ormeneze, sócio da Manchester Investimentos, também destaca o risco geopolítico. “A possibilidade de escalada militar mantém o petróleo e ativos de proteção, como o ouro, em alta.”
Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, afirma que os preços dos barris incorporam um prêmio com a instabilidade. “Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo estreito de Hormuz, região estratégica para o escoamento global da commodity. Qualquer ameaça à navegação ali impacta expectativas de oferta”.
noticia por : UOL



