5 de março de 2026 - 19:05

Nenhum país do mundo atingiu a igualdade legal entre homens e mulheres

Nenhum país do mundo atingiu a igualdade legal entre homens e mulheres, de acordo com a ONU Mulheres. Em nível global, a entidade das Nações Unidas estima que mulheres detêm apenas 64% dos direitos legais concedidos aos homens.

Um estudo sobre acesso à justiça com dados publicados antes do Dia Internacional da Mulher e do início da 70ª. Sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher, CSW70, retrata “um período desafiador de enorme pressão e tensão”.

Sistemas de justiça legalmente adequados

O relatório global “Garantindo e Fortalecendo o Acesso à Justiça para Todas as Mulheres e Meninas” apresentado nesta quarta-feira está em linha com o evento que acontecerá na sede da ONU, em Nova Iorque, entre 9 e 19 de março.

A diretora de Políticas, Programas e Assuntos Intergovernamentais da ONU Mulheres, Sarah Hendriks, ressalta que é preciso assegurar, como primeiro passo que os sistemas de justiça sejam legalmente adequados, sem exceção. 

Uma colagem de imagens históricas e contemporâneas de mulheres protestando pelos direitos das mulheres, com um cartaz proeminente que diz 'END FEMICIDE'.

Estudo sugere uma justiça preventiva com mecanismos de proteção, sistemas administrativos e capacidade de treinamento

Para a representante, as leis discriminatórias devem ser absolutamente rejeitadas, e as lacunas legais fechadas, para que os direitos sejam executados na prática. Em segundo lugar, os sistemas de justiça devem atuar juntos em diferentes contextos.

Esses ambientes incluem o criminal, da polícia, dos procuradores, dos juízes, das correções, dos fornecedores de ajuda legal, dos sistemas de saúde e dos serviços sociais. Ela defende uma ação organizada e coordenada para que as vítimas e os sobreviventes não fiquem sozinhos em muitas situações burocráticas complexas em que muitos simplesmente desistem antes de ser feita justiça. 

Em terceiro plano, o estudo sugere uma justiça preventiva com mecanismos de proteção, sistemas administrativos e capacidade de treinamento, consolidação de atores de justiça, a educação pública e legal para conter a violência.

Acelerar a ação dos governos 

Como quarto requisito, a justiça deve ter fundos como um bem público e a ajuda legal obtendo investimento público sustentável. Em quinto lugar, o estudo pede uma reforma de justiça concebida por e para mulheres.

Uma das constatações do relatório é que movimentos feministas fortes estão entre os mais são confiáveis para acelerar a ação dos governos e a forma como as autoridades usam fundos ou implementam políticas.

O documento revela que mais de metade dos países não definem a agressão com base em consenso de acordo com a lei. Cerca de 74% deles ainda tem lei permitindo o casamento infantil, que afeta particularmente as meninas. E em 44% dos Estados, a lei não prevê um pagamento igual para o mesmo trabalho.

Violência e igualdade de direitos

Em vários contextos houve um retrocesso em ganhos que antes pareciam ter sido garantidos como a série de proteções contra a violência, igualdade de direitos na lei da família e segurança contra a discriminação.

Fabrizia Falcione, Representante do UNFPA no Sudão (médio), encontra-se com mulheres deslocadas num espaço seguro no Acampamento de Goz Al Salam, Estado do Nilo Branco, Sudão.

Documento destaca que muitos sistemas de justiça foram construídos por instituições definidas pelo poder

Nesse cenário, o setor da justiça, no entanto, é onde a igualdade é decidida, mas deforma muito mais frequente ela também é negada.

O documento destaca que muitos sistemas de justiça foram construídos por instituições definidas pelo poder, especificamente de natureza patriarcal, e nas quais continuam sendo implementados esses princípios.

No entanto, a ONU Mulheres também menciona que o trabalho conjunto com a sociedade civil ajudou a fortalecer as leis que permitem que mulheres e meninas tenham acesso à justiça e reivindiquem seus direitos.

Ativar respostas institucionais

O relatório indica que etapas como denunciar uma agressão, aderir a medidas de proteção ou iniciar um processo de reparação dependem, em grande parte, de como os sistemas de justiça são estruturados. 

Em casos de violência contra mulheres e meninas, o acesso oportuno a esses mecanismos dita a possibilidade de ativar respostas institucionais que evitem mais danos, responsabilizem os agressores e garantam a restauração dos direitos.

O relatório ressalta que essas lacunas legais também se refletem no funcionamento dos sistemas de justiça, onde tendências institucionais e desigualdades estruturais influenciam quem pode ter acesso à proteção do Estado e em que condições.

FONTE : News.UN

5 de março de 2026 - 19:05

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