A quebra do sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, tem sido explorada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, e por parlamentares bolsonaristas, e a ideia é que o tema seja levado à campanha deste ano.
Dados recebidos pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS mostraram, nesta quinta-feira (5), que o filho do presidente Lula (PT) movimentou R$ 19,5 milhões em quatro anos.
Governistas contra-atacaram nas redes, publicando que a quebra de sigilo não comprovou repasses do empresário conhecido como Careca do INSS, como se suspeita, nem crimes. O discurso de resposta foi acertado em uma reunião entre Lula e ministros na quinta (5), em que a quebra de sigilo foi um dos temas debatidos.
Lulinha até agora não foi alvo de acusação formal no caso do INSS. A PF tem apurado citações feitas ao filho do presidente nas investigações da Operação Sem Desconto, incluindo a relação dele com Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
O tema passou a dominar as redes de Flávio. Nas publicações, o senador ironiza que Lulinha é “o filho do pai dos pobres” e escreve “tal pai, tal filho”.Também diz que Lulinha vai “ajudar a salvar o Brasil do pai dele”.
Interlocutores do senador dizem que não só o caso de Lulinha, mas das fraudes no INSS e do Banco Master devem aparecer na campanha no intuito de ligar Lula à corrupção. A leitura é de que a série de escândalos recentes, incluindo a Operação Carbono Oculto, que mirou o PCC, acabam ajudando Flávio eleitoralmente.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), por sua vez, passou a usar o caso de Lulinha para fazer uma contraposição da situação do pai, Jair Bolsonaro (PL), que está preso na Papudinha, após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado. Carlos e outros bolsonaristas questionam a prisão do ex-presidente, argumentando que ele não é acusado de corrupção.
Ao compartilhar uma notícia sobre a suspeita de envolvimento entre Lulinha e o Careca do INSS, ele escreveu: “Enfiaram o presidente Jair Bolsonaro na cadeia para cumprir pena de quase 28 anos de prisão sem desviar um centavo do dinheiro público sob a justificativa boçal e canalha de tentativa de golpe”.
Por outro lado, alguns aliados de Flávio defendem comedimento ao explorar o desgaste de Lulinha. Eles afirmam que a campanha do senador deve ser propositiva e não belicosa, buscando mostrar que o governo Lula piorou o país e oferecendo outro caminho.
Aliados do presidente afirmam que não temem esse debate com Flávio, citando como possível munição a evolução patrimonial do senador. Na campanha, dizem, o filho de Bolsonaro também deve ser questionado a respeito da compra de uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília e da acusação de “rachadinha” operada pelo ex-assessor Fabrício Queiroz.
Nos bastidores, porém, integrantes do governo admitem que o episódio gerou desgaste político para o presidente, principalmente por causa do volume de dinheiro movimentado.
Lula teria ficado surpreso com o montante, mas seus interlocutores explicaram que se tratam de R$ 9,774 milhões em entradas e R$ 9,758 milhões em saídas das contas. A quebra do sigilo expôs dados de quatro contas bancárias de Lulinha no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal de 3 de janeiro de 2022 até 30 de janeiro deste ano.
O presidente demonstrou irritação com o vazamento das informações, que tem sido atribuído à Polícia Federal. Ele questionou ainda por que a quebra de sigilo havia sido necessária, se a defesa de Lulinha ofereceu ao STF (Supremo Tribunal Federal) seus dados bancários.
Brasília Hoje
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Antes da quebra do sigilo vir à tona, na terça (3), Lula ligou para o filho e disse que ele tem que se defender. Na reunião com ministros, depois de o conteúdo ser revelado, o petista disse aos seus auxiliares que avisou ao filho que ele tem que se explicar. O presidente afirma que Lulinha diz a ele que não tem problema algum e que, portanto, pode se defender.
Entre os valores recebidos listados no documento, estão R$ 721 mil transferidos por Lula ao filho. Desse total, R$ 384 mil foram pagos em 22 de julho de 2022. Outras duas transferências aconteceram em 27 de dezembro de 2023.
A pedido da polícia, o ministro André Mendonça, do STF, quebrou os sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha antes de a CPI aprovar a mesma quebra, em sessão marcada por confronto entre parlamentares, na semana passada.
Na quarta (4), uma decisão do ministro Flávio Dino de suspender a quebra do sigilo bancário e fiscal de uma amiga de Lulinha levou a defesa do filho de Lula a tentar a extensão do mesmo benefício, o que foi concedido nesta quinta.
A defesa de Lulinha diz que “o vazamento [da quebra do seu sigilo] configura crime grave, que está sendo imediatamente comunicado a todas as autoridades competentes”. “Não pouparemos esforços para apurar e punir os responsáveis”, afirma.
noticia por : UOL






