9 de maio de 2026 - 6:01

Alvo da PF no Master, Ciro Nogueira vira estorvo ao aliado Flávio Bolsonaro

O presidente do PP já sinalizou publicamente que suas chances de ocupar a vice eram zero e que outros nomes do partido estariam mais bem cotados, como a senadora Teresa Cristina, ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro. Mas quem conhece Nogueira sabe que ele ainda alimentava essa esperança como quem guarda uma brasa debaixo da cinza.

O sonho não nasceu agora. Quando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) era o nome mais cotado pela extrema direita para a corrida presidencial, Nogueira aparecia nos bastidores como possível vice. Com a candidatura migrando para Flávio Bolsonaro, o senador piauiense seguiu se posicionando como peça central do projeto — afinal, o PP, federado ao União Brasil, é estrutura importante para qualquer empreitada eleitoral.

O problema é que essa estrutura agora tem um nó.

A prisão de Daniel Vorcaro, em março, arrastou para a crise uma miríade de políticos que tinham interlocução com o banqueiro. Ciro Nogueira é um deles, e não de forma periférica. O senador teria atuado nos bastidores contra a criação de uma CPMI que investigaria o Banco Master. Ao mesmo tempo, empenhou forças pela aprovação de uma emenda constitucional que aumentaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF — o que beneficiaria diretamente uma instituição que estava escorando seus CDBs exatamente nesse fundo. Também teria apoiado a compra do Master pelo BRB, banco estatal do Distrito Federal, operação que foi chumbada pelo Banco Central – não sem antes um prejuízo multibilionário para a estatal.

A PF chegou à suspeita de propina após encontrar mensagens nos celulares apreendidos em fases anteriores, incluindo o do próprio Daniel Vorcaro. O que mostra que ele e outros envolvidos vão ter que suar muito a camisa para oferecer, em suas delações, algo novo que realmente seja digno de prêmio. Porque a “delação” do celular do banqueiro cantou alto, muito alto.

Para Flávio Bolsonaro, o problema não é apenas político, mas narrativo. Uma chapa presidencial que pretenda vender a ideia de combate à corrupção não pode carregar um nome que a Polícia Federal investiga por receber propina milionária de um banqueiro preso. Não apenas como vice, mas como nome forte da candidatura.

noticia por : UOL

9 de maio de 2026 - 6:01

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