2 de junho de 2026 - 3:40

Ex-interno sem formação em saúde cuidava de 50 pacientes em clínica onde homem morreu amarrado

DO REPÓRTERMT

O ex-paciente Odiley Rodrigues de Souza, de 42 anos, que atuava como plantonista no Centro Terapêutico Pró-Vida, e estava responsável por ao menos 50 internos no local. Ele foi preso em flagrante pelo homicídio de Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, que morreu após ser submetido a um procedimento de contenção durante um suposto surto na clínica.

As informações foram repassadas pelo delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Michael Paes, em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (1º).

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Não tinha ninguém da área da saúde, a gente não viu nenhuma enfermeira, nenhum psicólogo, assistente social. A gente não viu nada. O preso era um ex-interno, que já esteve internado e que agora estava responsável por mais de 50 pessoas na clínica”, revelou o policial.

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Alessandro foi encontrado já sem vida na manhã de domingo (31). Uma equipe da DHPP foi acionada por volta das 8h para atender uma ocorrência inicialmente tratada como suicídio. Essa versão foi apresentada por Odiley, que posteriormente confessou ter forjado a cena por medo.

No local, foi informado que Alessandro fazia tratamento para controle de esquizofrenia e que, no sábado (30), havia apresentado um surto psicótico, sendo amarrado e medicado. Testemunhas relataram que ele só foi desamarrado quando demonstrou comportamento colaborativo.

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Em depoimento, o plantonista contou que Alessandro foi amarrado duas vezes e deixado no “quartão”, espaço que, segundo o delegado, era destinado aos internos que “davam mais trabalho”.

“Essa clínica tem vários cômodos, esse cômodo que aconteceu se trata de um quarto, usado como punição porque esse quarto fica trancado a noite e quem fica com a chave é o plantonista”.

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Na primeira vez, ainda conforme o relato de Odiley, Alessandro foi amarrado por algumas horas com uma corda e depois solto. Na sequência, ele teria entrado em novo surto por volta das 3h, quando foi novamente submetido à contenção e deixado amarrado junto aos demais pacientes. Somente por volta das 7h o plantonista percebeu que o homem havia morrido.

A Polícia Civil suspeita que o próprio plantonista tenha enforcado Alessandro ou, mesmo sem executar o enforcamento, o tenha imobilizado completamente e o abandonado, assumindo conscientemente o risco da morte.

O acusado possui um extenso histórico criminal, com registros por roubo, ameaça, violência doméstica, divulgação de cena de estupro, sexo ou pornografia, entre outros.

Até o momento, os responsáveis pela clínica não foram localizados. Conforme o delegado, a unidade mantém parcerias com prefeituras do estado, mas apresentava condições precárias no tratamento dispensado aos internos.

“Não acho que se trata de uma clínica clandestina porque o próprio gerente relatou que prefeituras do estado têm convênio lá. Então a gente presume que se a prefeitura faz esse tipo de tratamento, então uma clínica dessa não é clandestina pelo menos pelo ponto de vista do papel”, finalizou.

FONTE : ReporterMT

2 de junho de 2026 - 3:40

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