29 de julho de 2026 - 2:54

Durigan critica ausência de propostas da oposição e defende arcabouço fiscal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (28) que ouve um grande e retumante silêncio da oposição em relação a propostas econômicas em ano de disputa eleitoral para a Presidência da República.

A declaração, na mesma semana em que ele chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de palhaço, foi dada em entrevista ao programa “É Notícia”, apresentado por Beatriz Bulla na RedeTV!, na noite desta terça-feira (28).

“O que eu tenho sentido no debate público é uma demanda por explicação de grande amigo, corrupção e temas mais graves”, afirmou, citando também divergências dos opositores em relação à busca por interferência estrangeira no país.

O ministro disse que quem defende a pauta da desburocratização da economia é ele próprio e isso não começou agora. Mencionou a necessidade de uma reforma tributária para facilitar a vida dos empreendedores e criticou os opositores que pregam contra essa ideia.

“Isso é dizer que o sistema tributário brasileiro é bom, o que é um absurdo. Qualquer organismo internacional diz que é um dos piores sistemas tributários do mundo. E estamos fazendo um grande esforço estrutural que muda o sistema, muda a concepção. Não podemos ter medo de avançar para um futuro melhor”.

Durigan não repetiu a ofensa ao presidente argentino, mas não deixou de cutucar o candidato Flávio Bolsonaro e Milei ao mencionar a dança dos dois na convenção do PL e dizer que a economia no país vizinho anda muito mal.

Para o ministro, o presidente Lula (PT) ganhou o debate sobre programas sociais como o Bolsa Família. Mesmo admitindo que o mecanismo precisa ser melhorado, ele destacou que hoje a população não aceita retrocessos nesse tema.

“Lembro de muita gente que concorre hoje a cargos eletivos no país e que dizia que Bolsa Família era pra vagabundo, que benefício social era para gente preguiçosa”, afirmou.

Na avaliação do ministro, o arcabouço fiscal, regra concebida pelo ex-ministro Fernando Haddad (Fazenda) para tentar controlar as contas do país, gera resultados e não há como fugir desse debate.

“Tem críticas ao arcabouço? Tem. Qual é a minha posição? Nós temos que fortalecer o arcabouço fiscal daqui para frente”.

Ele defendeu a diminuição dos gastos obrigatórios, o fortalecimento das regras fiscais já existentes, a modernização do Estado e a diminuição dos juros para que os investimentos públicos e privados ganhem espaço, com parcerias para setores estratégicos como os de minerais críticos, biocombustíveis, inteligência artificial para indústria e para os serviços.

O ministro chamou de falsos os argumentos usados pelos Estados Unidos para impor o tarifaço ao Brasil.

“Um Estado soberano tem condições de impor tarifas, aumentar tributos, diminuir, mas deveria fazer isso com razões concretas colocadas à luz do dia, o que não acontece com os Estados Unidos”.

Para Durigan, o tarifaço está espelhado na relação dos Estados Unidos com a China, mas no caso do Brasil o déficit na relação comercial é local e não dos americanos.

“Nada se justifica, nada para de pé, o que nos leva a crer que é uma interferência política externa. É ruim porque prejudica as empresas, as famílias e os agricultores brasileiros para forçar uma percepção eleitoral”, disse.

O ministro relacionou como respostas ao tarifaço a adoção de medidas de proteção aos empresários afetados e a insistência no diálogo com os Estados Unidos.

Ele discutirá a reversão das tarifas de importação durante a próxima reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais no G20, de 31 de agosto a 1º de setembro na Carolina do Norte.

“Vou aproveitar a presença de um representante dos Estados Unidos e dizer: ‘Meu amigo, olha aqui de novo, não sei se você esqueceu dos dados, o Brasil tem déficit com vocês, o dinheiro dos brasileiros, que é um país mais pobre, sai do Brasil para fazer superávit para os Estados Unidos nessa relação'”.

Durigan falou sobre ter testemunhado a negociação de Lula com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em reunião bilateral de três horas de duração, em maio.

“O presidente Trump recebeu o presidente Lula, agradeceu a visita, mostrou a reforma que fez na Casa Branca, o jardim onde iria ter uma luta de MMA no aniversário dele. Ele disse: ‘Olha, o Brasil está aqui, a gente lembra do Brasil porque vou chamar um lutador brasileiro’”.

Depois disso, segundo o ministro, a conversa ocorreu no Salão Oval, Lula falou sobre o combate ao crime organizado, de melhorias no sistema ONU, de etanol e de comércio bilateral.

Para Durigan, a relação com os EUA é movediça, mas a única opção é continuar conversando.

noticia por : UOL

29 de julho de 2026 - 2:54

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