Os líderes em intenção de voto ao Governo de Minas Gerais Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Patrus Ananias (PT) foram os principais alvos no debate realizado pela Globo na noite desta terça-feira (29).
Enquanto o primeiro foi questionado sobre sua relação com o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), indiciado sob suspeita de envolvimento nas fraudes do INSS, o segundo tentou se esquivar das críticas ao legado de Fernando Pimentel (PT), que governou o estado entre 2015 e 2018.
No ataque, estavam principalmente o atual governador Mateus Simões (PSD) e o empresário Flávio Roscoe (PL), que repetiram o discurso de representarem a única candidatura capaz de barrar o PT num eventual segundo turno no estado.
Ambos teceram críticas à gestão federal e reforçaram o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no pleito nacional. Simões, vice eleito na chapa de Romeu Zema ao estado, até então apoiava o candidato do Novo no primeiro turno das eleições à presidência.
Alexandre Kalil (PDT), terceiro colocado nas pesquisas de intenções de voto, afirmou querer “um caminho livre, sem escolher nem Flávio Bolsonaro nem Lula”.
O candidato se aliou ao petista nas últimas eleições ao governo e foi questionado, nesta terça, sobre sua aproximação com o candidato a senador Aécio Neves (PSDB), que integra a chapa de sua coligação. “Foi uma circunstância eleitoral”, disse.
O debate, o primeiro realizado no estado com a presença de todos os principais candidatos, abordou principalmente temas locais e passou ao largo das controvérsias que mobilizaram a disputa nacional nos últimos dias.
A recente crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) foi citada apenas por Roscoe, que afirmou que o brasileiro perdeu a fé na justiça.
A ausência de Patrus em debates anteriores foi citada por Gabriel Azevedo (MDB). “Você faltou a todos os outros debates porque sabe a rejeição que o PT tem no estado. Se você for para o segundo turno, você está dando um passo para o Cleitinho ser governador”, disse o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
O petista, que teve a relação com o ex-governador Fernando Pimentel explorada em diferentes momentos pelos adversários, afirmou não estar no debate como advogado do colega de partido. Pimentel foi condenado em 2019 por tráfico de influência e lavagem de dinheiro, tendo sido absolvido pela Justiça Eleitoral em 2022.
“Os meus compromissos com Minas Gerais estão alicerçados na minha história”, disse Patrus, reforçando, como em outras ocasiões, o trabalho realizado durante sua gestão como prefeito de Belo Horizonte, na década de 1990, e como ministro do primeiro governo Lula.
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Na outra ponta, Cleitinho foi interpelado por Simões a comentar sua relação com o candidato a deputado federal Euclydes Pettersen, atual presidente do Republicanos no estado. O político foi indiciado pela PF (Polícia Federal) por suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele negou as acusações à Folha em julho deste ano.
“Você vir falar de estrada sendo que anda no jatinho do Euclydes?”, questionou o atual governador, ironizando a proposta do senador de revisão dos valores de pedágios cobrados nas estradas mineiras, cujos problemas tem sido frequentemente explorados durante a campanha.
Simões afirmou que ele também teria recebido oferta de propina do deputado, atual presidente do Republicanos em Minas Gerais. “Cleitinho, se liberta dessas amizades, não se deixa cercar com esse tipo de gente”, disse.
Cleitinho retrucou que não responde pelos atos de Pettersen e nem de seu suplente no Senado, Alex Diniz, citado sob suspeita de sonegação de impostos em embate anterior por Simões e Kalil.
“Esse suplente estava sonegando imposto no governo dele [de Simões], com quem ele estava andando pra cima e pra baixo me pedindo para não ser candidato”, retrucou Cleitinho. As idas e vindas em torno da confirmação da candidatura do senador marcaram a pré-campanha em Minas.
Cleitinho foi também acusado de fazer “show midiático” em relação à proposta de reduzir o valor do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), uma de suas principais bandeiras de campanha.
Durante o debate, ele manteve o discurso conciliador adotado em confrontos prévios. “Eu sou de direita, mas meu coração é pra todos”, disse, afirmando que pretende governar para acabar com a polarização e que irá dialogar com qualquer presidente a ser eleito, “seja Flávio, seja Lula, seja Renan [Santos] (Missão)”. Ele reforçou, contudo, o posicionamento de oposição ao PT.
Além de abordar temas como saúde, educação, segurança pública e desenvolvimento regional, o debate trouxe discussões sobre a dívida pública do estado, que ultrapassa R$ 200 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 188 bilhões são devidos à União.
“Se não arrumar a dívida, não vamos fazer nada, é tudo mentira”, disse Kalil.
O valor, ora citado pelos candidatos como fruto da gestão Pimentel, ora vinculado ao governo de Zema, mobilizou os discursos.
Simões destacou sua participação nas negociações que culminaram na adesão de Minas ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), do governo federal, e criticou a falta de retorno do dinheiro enviado à Brasília. Ele defende que os recursos sejam aplicados em infraestrutura, especialmente na melhoria das rodovias.
Patrus, por sua vez, reforçou que irá negociar a possibilidade de uma prorrogação do prazo para a quitação das dívidas com Lula, caso o presidente seja reeleito, e citou a revisão de isenções fiscais.
“Eu tenho a política de quem pode mais, paga mais; quem pode menos, paga menos; e quem não pode, não paga”, disse o candidato. O petista mostrou dificuldades em fazer contrapontos às críticas dos adversários e se atrapalhou em alguns embates diretos.
Na tréplica, Roscoe afirmou que “o caminho das isenções fiscais não é a resposta correta”, justificando que incentivos são relevantes para garantir com que empreendimentos gerem renda ao estado.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (29), Cleitinho segue na liderança de intenções de voto ao Governo do Estado, marcando 37% no primeiro turno. Na sequência, estão Patrus Ananias, com 18%, e Alexandre Kalil, com 9%.
Mateus Simões marca 6%, seguido de Flávio Roscoe, com 5%. Gabriel Azevedo e Ben Mendes (Missão) marcam 2%, cada um, e Professor Túlio Lopes (PCB) tem 1%. A disputa ainda tem três postulantes, Indira Xavier (UP), Rafael Duda (PSTU) e Henrique Áreas (PCO), que não pontuaram.
O levantamento também apontou a vitória de Cleitinho em todas as simulações de segundo turno. O candidato do Republicanos aparece com 52% contra Patrus, que marca 26%, e com 51% contra Kalil, que tem 22%.
A pesquisa ouviu 1.506 eleitores entre sexta (25) e segunda-feira (28) e tem nível de confiança das estimativas de 95%. A margem de erro máxima prevista é de até três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento, contratado pela TV Globo, está registrado na Justiça Eleitoral sob o código MG-02019/2026.
noticia por : UOL






