7 de março de 2026 - 6:05

O que aconteceu com os personagens do caso Jean Charles

Em 22 de julho, após atiradores da polícia matarem Jean Charles no metrô, Blair foi a público no mesmo dia afirmar, sem identificar quem havia morrido, que a ação tinha relação com uma “operação antiterrorista”. Ele também disse que o alvo havia se recusado a obedecer ordens dos policiais. Nas horas seguintes, Blair continuaria a alimentar um cenário no qual o comportamento do suspeito contribuiu para sua morte.

Paralelamente, a polícia passou a divulgar comunicados afirmando que o homem estava usando “roupas volumosas” e agindo de maneira “suspeita” e que o alvo havia sido “advertido” pelos atiradores. Reportagens na imprensa também relataram e que ele teria “pulado a catraca” ao entrar na estação.

Eram mentiras. Jean Charles não estava usando roupas volumosas e havia pago sua passagem na catraca. Todas as testemunhas no vagão do metrô negaram que os policiais se identificaram antes de atirar.

Só no dia seguinte, 23 de julho, Blair foi novamente a público declarar que a polícia havia matado um homem por engano. No entanto, surgiriam suspeitas de que Blair já estava informado sobre evidências quando inicialmente propagou as primeiras versões. Blair negou e disse que só foi informado no dia seguinte.

Ele também foi acusado de inicialmente tentar bloquear um relatório da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia Britânica (IPCC, na sigla em inglês), a corregedoria policial. O bloqueio inicial, segundo investigadores, permitiu que policiais pudessem adulterar provas do caso e criar um cenário para a propagação de boatos.

Em agosto de 2005, o vazamento para a imprensa de um relatório preliminar da IPCC que listou os erros da operação e contradizia versões propagadas pela polícia sobre o comportamento de Jean Charles arranhou a imagem de Blair. No entanto, ele permaneceu no cargo e não foi processado.

noticia por : UOL

7 de março de 2026 - 6:05

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