7 de março de 2026 - 2:32

Brasil depende de empresários dos EUA pra negociar com Trump, diz analista

Publicamente, Trump tem condicionado a suspensão das tarifas à interrupção do processo judicial contra o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, réu por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito entre outros crimes, que ele nega.

“Algumas das demandas do lado americano, o Brasil não pode e nem deve entregar. Vai ser um caminho difícil para os dois países, ainda pode escalar mais. O governo Lula paga um preço por ter se ausentado demais de Washington já desde o fim do governo Biden. Deixaram um campo aberto para o Eduardo Bolsonaro. Agora, o que poderia ter influência (sobre Trump) é o lobby do setor privado —CEOs e empresários ligando pra Casa Branca pra reclamar das tarifas de 50%”, diz Nick Zimmerman, consultor da Dinámica Americas e ex-Diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca para Assuntos do Brasil e do Cone Sul, referindo-se à campanha por punições ao Brasil feita nos EUA pelo deputado federal e filho do ex-presidente.

Sem um canal direto com o coração do Executivo americano —que é quem terá a palavra final sobre a entrada em vigor das taxas contra o Brasil em 1º de agosto—, Brasília tem repetido publicamente, para funcionários da administração Trump e para empresários brasileiros e americanos, que quer negociar comercialmente e que, como disse anteontem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad: “O Brasil não sairá da mesa de negociação com os EUA”. Falta, porém, quem convença a Casa Branca a sentar-se nela.

“Há esse pedido e essa expectativa de que o setor privado americano possa ajudar, pra baixar a fervura, demonstrar insatisfação pra Casa Branca”, afirmou à coluna o representante de uma das associações empresariais que atua na questão das tarifas e que pediu anonimato dada a sensibilidade do tema.

O problema, segundo este mesmo representante, é que os empresários dos dois lados não enxergam sequer a mesa de negociação à qual Haddad se refere. “Falta uma ofensiva mais audaciosa do governo Lula pra tentar fazer os canais se abrirem, em níveis mais altos, ao menos em nível ministerial. Trocar cartinhas não vai resolver”, diz, em referência aos pedidos de retomada de negociação enviadas por carta pelo Ministério da Indústria e Comércio e o Itamaraty.

O governo brasileiro já foi procurado por representantes de empresas dos EUA dos setores farmacêutico, químico, petroleiro, de aviação civil, entre outros. E têm estimulado os executivos a interpelar a autoridade do próprio país a flexibilizar sua posição.

noticia por : UOL

7 de março de 2026 - 2:32

LEIA MAIS