O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, declarou ter R$ 51,1 milhões em obras de arte, relógio e carros no ano de 2024, em valores corrigidos pela inflação. A informação consta na declaração de imposto de renda do banqueiro, enviada à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS e obtida pela Folha.
Desse valor, R$ 49,7 milhões eram em obras de arte e relógios, com valores não discriminados em cada uma dessas duas categorias. O banqueiro ainda tinha quatro veículos em seu nome, todos da marca Land Rover, avaliados entre R$ 195 mil e R$ 410 mil.
Até a declaração de 2022, Vorcaro não havia informado ter obras de arte e relógios.
No total, Vorcaro declarou à Receita Federal ter uma renda de R$ 570 milhões em 2024 e recebeu cerca de R$ 28 mil de restituição do Imposto de Renda, segundo dados do Fisco. Os valores foram informados na declaração de 2025, referentes ao ano anterior. Naquele período, elementos investigados pela PF (Polícia Federal), como a venda de carteiras falsas ao BRB (Banco Regional de Brasília), já estavam em marcha.
Segundo o documento, Vorcaro recebeu R$ 1,7 milhão de remuneração do Banco Master naquele ano. O valor mensal em “rendimentos do trabalho assalariado” foi de R$ 96.213,60 de janeiro até agosto e subiu para R$ 100.677,91 mensais a partir de setembro.
Do montante total que o empresário recebeu do Master, foram retidos na fonte cerca de R$ 307 milhões. Além dos valores tributáveis, Vorcaro informou em sua declaração de IR que tinha cerca de R$ 431 mil em rendimentos sobre os quais não incidem impostos.
A declaração também mostra um salto patrimonial. No fim de 2023, Vorcaro apresentava R$ 1,41 bilhão em bens e direitos, valor que alcançou R$ 2,64 bilhões no fim do ano seguinte.
Daniel Vorcaro voltou a ser preso em 4 de março em nova fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu dois servidores do Banco Central, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, um policial aposentado, entre outros.
A determinação da prisão preventiva (sem tempo determinado) foi do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.
Liquidado pela autoridade monetária em novembro, o Banco Master já causou perdas de mais de R$ 50 bilhões a diferentes entidades, incluindo o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e fundos de pensão.
noticia por : UOL






