O filósofo alemão Jürgen Habermas faleceu aos 96 anos, em 14 de março de 2026, deixando um vasto legado sobre democracia e razão. Considerado o último grande pensador da Modernidade, ele dedicou a vida a defender o diálogo e os valores morais contra o domínio da técnica e do dinheiro.
Qual foi a principal ideia desenvolvida por Habermas?
Sua contribuição mais famosa é a ‘racionalidade comunicativa’. Ele acreditava que a razão não serve apenas para criar tecnologias ou lucrar (razão instrumental), mas sim para que as pessoas se entendam. Para ele, o uso original da inteligência humana está na argumentação honesta e na busca por consensos, permitindo que a sociedade tome decisões baseadas na ética e na justiça, e não apenas na eficiência econômica.
Como o filósofo via a relação entre ciência e sociedade?
Habermas não era contra a ciência, mas alertava para um perigo: o ‘progresso’ focado apenas em máquinas e números. Ele argumentava que a humanidade estava esquecendo que o futuro também deve ser sobre emancipação social e moral. Para o pensador, uma sociedade que evolui tecnicamente mas ignora a compaixão e os valores humanos acaba se tornando profundamente injusta.
O que ele pensava sobre a religião no espaço público?
Embora fosse ateu em seu método de trabalho, Habermas mudou sua visão ao longo dos anos. Ele percebeu que a política moderna estava se tornando ‘vazia’ de valores. Por isso, passou a defender que as mensagens religiosas são aliadas importantes para regenerar a vida pública. Ele acreditava que ignorar a fé dos cidadãos empobrece a democracia e os debates sobre o que é certo ou errado.
Qual era a sua postura política e sobre a Europa?
Habermas começou próximo ao marxismo radical, mas evoluiu para uma social-democracia aberta ao diálogo. Ele foi um defensor ferrenho da União Europeia, pregando que o continente deveria focar na integração dos cidadãos e da cultura, e não apenas no mercado financeiro. Ele lutou contra o ‘déficit democrático’, criticando decisões tomadas por líderes sem a participação real do povo.
Por que ele é chamado de ‘o último filósofo ilustrado’?
Esse título refere-se ao seu compromisso com a ‘Ilustração’ ou Iluminismo, o movimento que defende a razão como guia da humanidade. Enquanto muitos pensadores modernos desistiram da sabedoria sistemática ou se tornaram pessimistas, Habermas manteve a fé na capacidade humana de resolver problemas pelo debate. Ele foi o último a escrever obras enciclopédicas que tentavam abraçar todo o saber de sua época.
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noticia por : Gazeta do Povo





