25 de abril de 2026 - 7:00

Transição de gênero piora a saúde mental, diz novo estudo

A saúde mental de jovens e adolescentes com disforia de gênero piora após a realização das cirurgias de redesignação sexual. Essa é uma das principais conclusões de uma pesquisa publicada há poucos dias na Finlândia. O estudo avalia a morbidade psiquiátrica entre pacientes com menos de 23 encaminhados para este tipo de atendimento.

O artigo, publicado na revista Acta Paediatrica, levou em conta os prontuários médicos de mais de 2 mil jovens encaminhados para serviços de identidade de gênero entre os anos de 1996 e 2019. Como resultado, os pesquisadores descobriram que as necessidades de tratamento psiquiátrico especializado não apenas persistiram, mas frequentemente aumentam após intervenções hormonais ou cirúrgicas.

A conclusão vai de encontro à premissa de que a transição de gênero poderia trazer benefícios a esses indivíduos – como a redução da depressão e a diminuição dos casos de atentados contra a própria vida.

Quando comparados aos grupos de controle, os pacientes com disforia de gênero já apresentavam níveis elevados de psicopatologias antes de qualquer intervenção. Só que, ao contrário das expectativas de melhora, as redesignações de gênero fizeram subir drasticamente a morbidade psiquiátrica desses indivíduos.

Condição psiquiátrica piorou

A pesquisa mostrou que entre as mulheres que passaram pela chamada redesignação masculina tiveram um aumento no índice de necessidade de cuidados psiquiátricos, de 21,6% para 54,5%. Esse fenômeno foi ainda maior no caminho inverso. Entre os homens que buscaram a transição para a identidade feminina, a taxa saltou de 9,8% para 60,7%.

Uma possível explicação, segundo o estudo conduzido pelos pesquisadores finlandeses, estaria no estrogênio. O hormônio utilizado na redesignação de gênero nesses casos tem potencial para causar sintomas graves de depressão.

A pesquisa ressalta que embora hormônios masculinizantes, como a testosterona, possam melhorar o humor de forma temporária, as necessidades de tratamento psiquiátrico também aumentaram acentuadamente entre aqueles indivíduos que, nascidos mulheres, fizeram a redesignação de gênero masculinizante.

Disforia de gênero não seria o principal problema psicológico

Um fator psicológico crítico, segundo o estudo, é que uma carga maior de morbidade psiquiátrica pode surgir quando os tratamentos médicos não atendem às expectativas do paciente. Se o jovem espera que a transição resolva todos os seus problemas psicossociais e isso não ocorre, pode haver uma piora significativa da saúde mental.

Os dados sugerem que, para muitos jovens, a disforia de gênero pode não ser a causa principal entre os problemas de saúde mental preexistentes. Como o tratamento de redesignação sexual foca quase que unicamente no desejo de mudança da identidade de gênero, outros transtornos graves como depressão e ansiedade ficam em segundo plano.

Sem o devido diagnóstico e tratamento, essas condições tendem a persistir ou, como mostrou a pesquisa, se intensificar após as intervenções hormonais ou cirúrgicas. Em síntese, para alguns indivíduos, a redesignação médica parece estar diretamente ligada a uma deterioração da saúde mental, o que reforça a importância de se tratar transtornos psiquiátricos de forma independente e gerenciar as expectativas antes de procedimentos irreversíveis.

Número de pessoas que se identificam como trans estaria diminuindo

O professor canadense Eric Peter Kaufmann publicou, em 2022, um artigo no qual aponta o que seria uma diminuição no número de pessoas que alegam “ter nascido no corpo errado”. Esses indivíduos, aponta, estariam mais inclinados a adotarem outras identidades dentro do espectro LGBT e se desassociando da transexualidade.

“Enquanto outras categorias continuam a crescer entre os grupos etários mais jovens, e possivelmente ainda não atingiram seu ápice, a não conformidade de gênero apresenta um pico em 2020, seguido por um declínio em 2021. Ela é mais prevalente entre pessoas de 20 a 24 anos e menos comum entre pessoas de 19 anos ou menos”, detalhou o professor.

A redesignação sexual pelo mundo

Os procedimentos médicos de redesignação de gênero variam entre cada país. Na Rússia, por exemplo, desde 2023 uma lei proíbe totalmente as cirurgias de mudança de sexo por razões médicas. É assim também no Iraque, onde uma lei de 2024 criminaliza a “mudança de sexo biológico baseada no desejo e inclinação pessoal”.

No mesmo ano, a Grã-Bretanha passou a proibir a prescrição de bloqueadores da puberdade para menores de idade. Terapias hormonais em menores de idade também são restritas desde 2020 na Finlândia e 2022 na Suécia. No Brasil e na Argentina esses tratamentos também foram proibidos para menores de 18 anos.

Nos Estados Unidos, 25 dos 50 estados apresentam alguma forma de controle sobre esses procedimentos. Na província de Alberta, desde 2024 estão proibidas as cirurgias de redesignação sexual, assim como bloqueadores da puberdade e terapia hormonal para jovens menores de 15 anos, exceto em circunstâncias excepcionais.

noticia por : Gazeta do Povo

25 de abril de 2026 - 7:00

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