28 de abril de 2026 - 12:37

'Golpe da Mostarda': entenda como funciona novo esquema de furto em ônibus

Um novo golpe ganhou destaque nas redes nesta segunda (27): o “golpe da mostarda” –ou “golpe da sujeira”. Segundo vítimas, ele consiste numa distração seguida de furto no transporte público.

Pessoas consultadas pela reportagem contam que tudo acontece muito rapidamente e os suspeitos agem em conjunto dentro dos ônibus da capital.

O relato de Guilherme Giaretta, 23, explodiu nas redes e reacendeu o debate. O vídeo já chegou a mais de 1,5 milhão de pessoas no Instagram e no TikTok, e acumula 130 mil curtidas nas plataformas. À Folha ele detalhou o funcionamento do esquema.

A ação começa com um primeiro criminoso, que suja a roupa de uma vítima sem que ela perceba. O líquido utilizado é semelhante a vômito. “Um homem repetia em espanhol que tinha uma criança no colo de uma mãe, que tinha acabado de vomitar em mim, e que ela saiu tinha saído correndo do ônibus”, diz Guilherme.

Logo em seguida, um segundo indivíduo avisa a vítima sobre o que aconteceu e oferece ajuda para limpar. “O homem puxava minha camiseta, pegava a blusa da minha mão e falava que ia me ajudar com um lenço”. Nesse momento, a vítima conta que se sentiu confusa. “Eu estava tão em choque pela sujeira que eu nem consegui pensar.”

Enquanto o alvo está em choque e confuso, os golpistas o cercam, e um terceiro criminoso aproveita a distração e realiza o furto. Após as pessoas descerem no ponto seguinte à ocorrência, Guilherme buscou pelo celular. Foi então que percebeu que havia sido surrupiado.

Mirian Almeida, 31, é influenciadora e relata ter sofrido o mesmo golpe. “Lembro que eu percebi o furto assim que ele desceu do ônibus. Eu fiquei tão em choque que desci no próximo ponto, que era na frente da estação, eu só queria chegar mais rápido em casa, ao mesmo tempo sem acreditar que eu tinha sido furtada da forma mais boba possível.”

Ela se recorda de que tudo foi muito rápido e define a sensação como horrível. “Na hora a gente fica desnorteado, justamente pela rapidez em que tudo acontece.”

De acordo com os relatos coletados, o padrão se repete por diversas linhas de ônibus pela cidade. Vítimas consultadas citam a 175P-10 – Ana Rosa, 5110-10 – Terminal São Mateus e 172U-10 – Cem. Pq. dos Pinheiros nas ocorrências.

Já quanto à lotação dos carros, as pessoas lesadas afirmaram que não havia superlotação no momento do crime.

Para paulistanos que venham a passar pela mesma situação, Guilherme recomenda recusar a ajuda e ressaltar que “vai se virar sozinho”. “A gente nunca sabe quem vai ser uma pessoa que vai ajudar a gente ou que está mal intencionado. Na dúvida, é melhor se proteger e não dar atenção para pessoas desconhecidas”, diz.

Há registro desse golpe em outros países além do Brasil. Edson Kaneko, influenciador do perfil @achadosdaliberdade, conta que em 2013, numa viagem a Buenos Aires, viu o mesmo ocorrido. “Mas como estávamos em grupo afastamos os golpistas e não os deixamos ‘ajudar’ a limpar a sujeira e não fomos furtados”, relata.

“Eu achei estranho na hora a pessoa tão prestativa assim, querendo ajudar a limpar uma blusa suja de cocô de passarinho, mas na hora a gente nem pensa nisso. Eu logo dei a volta e olhei. Realmente estava suja e ela estava tentando limpar. Mas parecia que quanto mais ela limpava mais sujo ficava. Deveria estar com algum tipo de bisnaga escondida na outra mão, debaixo da blusa, espirrando a sujeira”, detalha.

O esquema é conhecido no exterior como “mustard scam”, ou golpe da mostarda. É uma armadilha comum contra turistas, onde criminosos sujam a roupa ou sapato da vítima com um molho amarelo para simular o acidente. Assim, possibilita o furto num momento de distração.

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) diz haver registro de duas ocorrências de furto de celular em transporte público, registradas nos dias 22 e 25 de abril, com características semelhantes às mencionadas pela reportagem.

Os casos, informa a pasta, são investigados pelo 78º Distrito Policial (Jardins) e pelo 28º Distrito Policial (Freguesia do Ó), respectivamente. As equipes das unidades analisam os elementos apresentados e realizam diligências com o objetivo de identificar e prender os envolvidos.

A SSP orienta que, ao desconfiar de uma atitude suspeita, as vítimas acionem imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190, informando o máximo de detalhes possível, para que a viatura mais próxima possa se deslocar ao local e realizar a averiguação. “É fundamental que as vítimas também formalizem o registro do boletim de ocorrência para que o caso seja devidamente investigado e os autores responsabilizados”, acrescenta a secretaria.

noticia por : UOL

28 de abril de 2026 - 12:37

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