O mercado de petróleo está a quatro semanas de um “ponto de inflexão” que elevará os preços significativamente, alertaram operadores, à medida que o contínuo bloqueio no Estreito de Hormuz reduz os estoques globais abaixo de níveis críticos.
Os mercados estão começando a precificar as chances de um conflito muito mais longo, depois que o presidente Donald Trump disse a executivos de empresas petrolíferas na última quinta-feira (29) que o bloqueio do Estreito de Hormuz poderia “continuar por meses”.
Operadores de mercado e analistas alertaram que os estoques globais de petróleo bruto, gasolina, diesel e combustível de aviação atingirão níveis criticamente baixos até o final de maio, momento em que os preços escalarão rapidamente.
“Não temos meses”, disse Frederic Lasserre, chefe de pesquisa da Gunvor, uma das maiores corretoras de petróleo do mundo. Ele alertou que haverá “uma dor enorme” à medida que as economias terão que parar de usar combustível. “Vai além da gasolina nas bombas, chegando ao fechamento de indústrias e até à entrada em recessão.”
“O ponto de inflexão é claramente junho”, acrescentou. “Esse é o momento em que alguma das partes terá que ceder.”
Amrita Sen, fundadora da consultoria Energy Aspects, disse que se a guerra continuar até o final de junho, todos os estoques estarão esgotados. “Essencialmente, você pode escolher qualquer número quando se trata do preço do petróleo. Simplesmente não teremos nenhuma reserva.”
“A reprecificação começa a partir deste mês de maio. Esperamos uma alta significativa tanto no petróleo bruto quanto nos derivados”, acrescentou, sugerindo que o preço futuro do Brent, a referência internacional, poderia subir para US$ 150 a US$ 200 por barril.
O Brent disparou para uma máxima de quatro anos acima de US$ 126 por barril nesta semana, em meio a negociações altamente voláteis enquanto os contratos vinculados às entregas de junho expiravam. O preço voltou a ficar abaixo de US$ 110 nesta sexta-feira (1º), com base no contrato futuro de julho.
Muitos participantes do mercado esperavam uma guerra mais curta quando o conflito eclodiu no final de fevereiro. Desde então, foram forçados a reajustar suas expectativas.
“Podemos estar à beira de uma mudança de sentimento, à medida que as pessoas começam a perceber que as mensagens dos EUA podem não representar a realidade”, disse Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities do RBC Capital Markets.
Ela acrescentou que se o bloqueio continuar ao longo de maio, os preços do petróleo poderiam superar a máxima de 2022, de cerca de US$ 140 por barril.
“Desde o início, a Casa Branca tem sido muito bem-sucedida em transmitir a mensagem de que seria uma guerra curta, e agora parece algo que pode se estender pelos próximos meses”, disse ela.
Lasserre alertou que os preços altos forçariam as indústrias a pagar ou fechar, e que uma vez que as economias entrem em recessão, levaria meses “antes que você possa esperar que seu impulso econômico seja positivo novamente”, mesmo que os fluxos de energia sejam retomados através do Estreito de Hormuz.
Os aumentos de preços nos mercados de energia têm sido relativamente contidos até agora porque havia reservas significativas de petróleo bruto quando a guerra começou. Os preços mais altos também levaram alguns países asiáticos a reduzir seu consumo, e as refinarias priorizaram os combustíveis mais necessários.
“Tivemos essas reservas nos primeiros dois meses”, disse um executivo de uma grande corretora de commodities. “As refinarias conseguiram mudar os produtos que estavam fabricando por causa da época do ano. Elas realmente maximizaram sua produção de combustível de aviação e diesel.”
Folha Mercado
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Mas os dados semanais mais recentes da EIA (Administração de Informação de Energia, na sigla em inglês) dos Estados Unidos mostraram uma queda significativa nos níveis de estoque, mesmo com a Reserva Estratégica de Petróleo do país liberando 1 milhão de barris de petróleo por dia no sistema.
De acordo com a EIA, os estoques de gasolina dos EUA caíram para 222 milhões de barris em 24 de abril, seu nível mais baixo para essa época do ano em mais de uma década. “Quando os estoques de gasolina dos EUA cruzarem 210 milhões de barris, a coisa fica interessante”, disse o executivo. “Estamos quase lá agora, então você começará a ver partes do mercado realmente cederem.”
Os dados são preocupantes à medida que a temporada de viagens de verão nos EUA se aproxima. “Estivemos em uma temporada de transição e consumindo as liberações da reserva estratégica de petróleo, mas agora estamos entrando direto na zona de perigo quando se trata da temporada de pico de demanda no verão”, disse Croft.
noticia por : UOL






