28 de maio de 2026 - 13:16

Venda de livros dá um salto em 2025, puxada por ficção jovem e obras de colorir

A venda de livros cresceu de forma significativa em 2025, segundo os dados apresentados pela pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial, feita pela consultoria Nielsen, que compila os resultados das editoras anualmente.

Foram vendidos 6,5% mais exemplares de livros no ano passado na comparação com 2024, resultando num crescimento real de 3,3% no faturamento das editoras, já descontada a inflação.

O salto mais expressivo foi no comércio de obras gerais, setor que inclui livros de ficção e não ficção (e se diferencia, por exemplo, de obras religiosas, didáticas e técnicas), em que a quantidade de exemplares vendidos subiu quase 21%.

É uma guinada positiva que já vinha sendo indicada em uma pesquisa de março que apontou um aumento na quantidade de consumidores de livros no país.

Mariana Bueno, executiva da Nielsen responsável pela pesquisa feita em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, afirma que o maior destaque nas vendas do ano foi na ficção adulta.

Isso está ligado à volta do fenômeno dos livros de colorir, que agitaram as livrarias no último ano, e são contabilizados entre o setor de ficção para adultos ou de infantojuvenis, a depender da proposta da editora.

Mas outro fator relevante tem sido a força dos livros para jovens, chamados no mercado de “young adult”, que segundo Bueno explicam boa parte do sucesso das obras de ficção, “muito por causa das redes sociais e dos criadores de conteúdo”.

A participação das livrarias na comercialização de obras também ganhou importância em 2025, com seu faturamento subindo em mais de 12% contra um crescimento de 1,5% das livrarias exclusivamente virtuais, que incluem plataformas como Amazon e Mercado Livre.

“As livrarias crescem tanto pela expansão do número de lojas, entre redes e independentes, quanto pelo fenômeno do livro de colorir, que aconteceu bastante nas livrarias”, afirma Bueno.

As vendas das editoras ao governo, contudo, caíram em torno de 10%, segundo a pesquisa, na segunda queda brusca consecutiva.

É um reflexo das dificuldades que o setor vem tendo com programas essenciais de distribuição de livros em escolas, como o Programa Nacional do Livro Didático, do Ministério da Educação, que vem tendo sucessivos atrasos nesta década e teve corte de orçamento pelo governo. O faturamento das editoras com esse programa, no ano passado, caiu 17,5% em relação a 2024.

Por fatores como esse, o resultado final da receita das editoras com livros impressos, contando mercado e governo, é negativo, tendo caído em torno de 3% em valores reais.

Já em relação aos livros digitais, o que se observa é outro crescimento notável. A receita da venda de ebooks aumentou 5,8% ante 2024, puxado pelos livros de ficção, que pela primeira vez passaram os de não ficção nesse setor e subiram 15% em faturamento.

noticia por : UOL

28 de maio de 2026 - 13:16

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