30 de maio de 2026 - 17:17

Alunos tiram nota 7 em informática mesmo sem ter aulas ou computadores nas escolas de Cuiabá, diz TCE

LUÍZA VIEIRA

DO REPÓRTERMT

Os alunos da rede municipal de Cuiabá não têm aulas de informática, mas, ainda assim, recebem nota 7 na disciplina em seus boletins. Essa foi uma das irregularidades encontradas durante auditoria no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, que se estendeu a uma visita à Escola Municipal Francisco Pedroso da Silva, na manhã de hoje (29).

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Sérgio Ricardo, e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), estiveram juntos nos locais. Segundo o chefe do Executivo, a prática teria sido determinada pela própria secretaria durante a gestão do ex-secretário Amauri Monge.

Essa criança recebeu nota sete e nunca teve aula. Ela não tem aula. Olha como os caras são maldosos. Olha o esquema dos caras. Olha o esquema dos malandros. Eles botam notas de informática para poder vender o kit de informática. A criança que nunca viu uma aula de informática está aqui com nota sete. Olha os absurdos”, declarou o presidente do TCE.

A vistoria técnica evidenciou a grande quantidade de materiais didáticos comprados por mais de R$ 20 milhões, mas que não estão sendo utilizados pelos alunos. No caso dos livros de informática, as unidades escolares não possuem laboratórios, o que inviabiliza a aplicação do conteúdo e faz com que os materiais permaneçam sem uso.

Apesar disso, os boletins escolares registram notas médias para a disciplina, mesmo sem aulas ou avaliações realizadas.

“É coisa de malandro que vende isso aqui (ele aponta para o livro). Fraude no boletim. O Tribunal de Contas vai trabalhar isso tudo”, frisou Sérgio Ricardo.

Os caras são tão malandros que conseguem vender os kits para quem não precisa e ainda dão nota para quem não usa”, acrescentou.

Por outro lado, o prefeito afirmou que a irregularidade não pode ser atribuída exclusivamente ao ex-secretário Amauri Monge. Segundo ele, a medida foi tomada de forma conjunta dentro da secretaria, e as escolas apenas seguiram a determinação de lançar a disciplina e atribuir nota 7 aos estudantes.

A pressão desse sistema é tão grande, que a escola recebeu orientação de dentro da secretaria de forma impositiva, para que no ano de 2026, iniciasse as disciplinas de informática e avaliações de forma impositiva. A escola não fez isso por interesse pessoal, ou de alguém. Lá da Secretaria de Educação veio uma ordem da parte pedagógica informando que ela deveria colocar na avaliação informática e nota”, detalhou.

O prefeito afirmou ainda que todos os ofícios e documentos que possam contribuir com a apuração e dar celeridade às investigações serão disponibilizados ao Tribunal de Contas.

Uma única pessoa não faz tudo isso. Teve servidores que apoiaram essa circunstância e que conciliaram a chegar nisso e forçaram os diretores a colocar uma nota de informática que não tem”, finalizou Abilio.

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FONTE : ReporterMT

30 de maio de 2026 - 17:17

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