1 de junho de 2026 - 2:45

Petro diz que não aceita resultados de apuração prévia na Colômbia, que coloca apadrinhado em 2º lugar

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou neste domingo (31) que não aceita os resultados da contagem preliminar das eleições que mostra seu aparinhado, o senador Iván Cepeda, atrás do líder, o ultradireitista Abelardo de la Espriella.

Com 100% das urnas pré-apuradas, seu aliado aparece com 40,9% dos votos, quase três pontos percentuais a menos do que Espriella (43,7%). Trata-se de uma surpresa em relação às últimas pesquisas de intenção de voto, divulgadas há uma semana, que mostravam Cepeda mais de dez pontos à frente do ultradireitista. O resultado preliminar, no entanto, confirma a ascensão que o outsider vinha registrando.

“Como presidente, não aceito os resultados da contagem preliminar da empresa privada pertencente aos irmãos Bautista”, afirmou Petro, em referência à Thomas Greg & Sons, companhia de Felipe, Camilo e Fernando Bautista.

A desavença com a empresa, uma das maiores prestadoras de serviço para o Estado colombiano, remonta a uma crise de 2023, quando companhias saíram em massa de um processo de licitação para produção de passaportes sob o argumento que o procedimento estava viciado para favorecer a Thomas Greg & Sons, que imprimia os documentos desde 2007.

Desde esse episódio, Petro criticou a companhia em várias oportunidades. Não foi diferente nessas eleições, já que a Thomas Greg & Sons tem participação no consórcio Integración Logística Electoral 2026, contratada pelo Estado para parte do processo de apuração.

“Estamos em um imenso perigo de fraude eleitoral”, afirmou o presidente em fevereiro deste ano, contradizendo especialistas, que veem um sistema eleitoral confiável na Colômbia.

Em outras ocasiões, pediu para observadores registrarem denúncias sempre que vissem algo suspeito e relembrou que, em 2022, seu partido, o Pacto Histórico, aparecia com 16 cadeiras na apuração preliminar e terminou com 19 após o escrutínio oficial.

“Atualmente, existem dois censos: o oficial e o produzido pelo software dos irmãos Bautista, que inclui 800 mil pessoas. As seções eleitorais que já foram contestadas demonstram que centenas de milhares de votos foram adicionados sem a existência de eleitores registrados”, afirmou Petro no X.

Em um discurso durante a noite, Cepeda ecoou seu padrinho, mas citou número ainda maior. “Há uma discrepância que queremos verificar em relação ao cadastro eleitoral. E não se trata de uma discrepância pequena. Estamos falando de 885 mil pessoas ou fichas de inscrição eleitoral. Como levamos isso a sério, queremos que isso seja esclarecido”, afirmou, em Bogotá.

A contagem preliminar é a primeira apuração dos votos realizada pelas autoridades eleitorais, e seu objetivo é informar o público sobre os resultados no dia da eleição. O números só terão força legal, porém, após a confirmação pela contagem oficial. Geralmente a apuração final demora alguns dias e coincide com a contagem preliminar, embora diferenças sejam possíveis justamente pelos mecanismos de correção existentes.

“O Registro Nacional gerencia e administra o processo para colocar tudo à disposição dos colombianos. Mas os mais de 850 mil mesários são as pessoas para quem entregamos esse voto de confiança”, afirmou o diretor de gestão eleitoral, Rafael Vargas, em abril, em meio aos ataques. “Se eu duvido de 850 mil colombianos, eu duvido do meu vizinho, do meu familiar, dos meus amigos.”

Ele afirma ainda que o software, principal alvo de desconfiança de Petro, é uma ferramenta para ajudar a consolidar os registros, mas que por meio dele não é possível alterar resultados. “No final, todos os dados finais estão registrados em atas, à mão”, afirmou Vargas.

A diretora para as Américas da Human Rights Watch, Juanita Goebertus, saiu em defesa do sistema eleitoral colombiano. “A Colômbia possui um sistema eleitoral independente e confiável. É lamentável que o presidente esteja semeando dúvidas injustificadas. Espriella e Cepeda vão para o segundo turno”, afirmou ela no X. “A comunidade internacional deve apoiar o Registro Nacional.”

noticia por : UOL

1 de junho de 2026 - 2:45

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