1 de junho de 2026 - 18:26

Zanin mantém tornozeleira em lobista de MT e torna pública denúncia sobre venda de sentenças

LUÍZA VIEIRA

DO REPÓRTERMT

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a manutenção das medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica contra o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, que cumpre prisão domiciliar em Mato Grosso. Ele é apontado pela Polícia Federal (PF) como o principal articulador de um esquema de venda de sentenças que operava no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relator também quebrou o sigilo do processo, tornando pública a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra os envolvidos. A decisão foi assinada na última quinta-feira (28).

De acordo com as investigações, a organização criminosa atuava em parceria com o advogado Roberto Zampieri, assassinado em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá, e contava com a participação de servidores do STJ e de empresários. O envolvimento de Andreson foi descoberto após a perícia no aparelho celular de Zampieri, o que o tornou um dos principais alvos da Operação Sisamnes, deflagrada pela PF.

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No pedido acolhido pelo relator, a PGR denunciou formalmente demais envolvidos pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, exploração de prestígio e violação de sigilo funcional. 

Contra Andreson Gonçalves pesam as acusações de corrupção ativa (por duas vezes), exploração de prestígio, lavagem de capitais (por três vezes) e organização criminosa. Sua esposa, Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello Gonçalves, também foi denunciada por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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No braço infiltrado no Poder Judiciário, foram denunciados os servidores da Corte Superior Márcio José Toledo Pinto, que responde por corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional qualificada e Daimler Alberto de Campos, acusado de corrupção passiva, violação de sigilo e organização criminosa. 

O restante do grupo apontado pelo Ministério Público Federal é composto por Vanessa Resende Gonçalves, denunciada por lavagem de capitais e organização criminosa; Carlos Antônio Nogueira Júnior e Bernardo Mazzutti, ambos acusados pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro; além de Diego Cavalcante Gomes e João Batista da Silva, que respondem por lavagem de capitais e organização criminosa, sendo que Diego, residente em Brasília, cumpre a medida cautelar de monitoramento eletrônico por tornozeleira sob a supervisão do Centro Integrado de Monitoramento do Distrito Federal.

Ao fundamentar a manutenção das cautelares, que incluem o monitoramento eletrônico, Zanin destacou que o oferecimento da denúncia reforça os indícios de materialidade e autoria, mas não elimina os riscos à instrução processual. Segundo o ministro, a continuidade das restrições é necessária diante de riscos concretos para a preservação da ordem pública e para evitar a reiteração delitiva.

“O oferecimento de denúncia não elimina os riscos, considerados quando da decretação das medidas, notadamente à instrução criminal e à aplicação da lei penal, porque, como se salientou, há diligências em curso”, afirmou Zanin em sua decisão.

Com a derrubada do sigilo, o ministro determinou a notificação de todos os denunciados para que apresentem resposta prévia no prazo de 15 dias. Além disso, Zanin prorrogou por mais 60 dias o prazo para a conclusão de investigações complementares que ainda correm em segredo de justiça, com o objetivo de delimitar a real extensão da organização criminosa.

FONTE : ReporterMT

1 de junho de 2026 - 18:26

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