17 de julho de 2026 - 19:56

A ajuda de Janja aos críticos do PL da misoginia

Um dia, quem sabe, o Brasil ainda terá uma lei para penalizar quem fizer, comprovadamente, falsas acusações não só de misoginia, mas de assédio sexual e moral, como acontece nos Estados Unidos.

Em reportagem veiculada quando da aprovação do projeto pelo Senado, em março, o Jornal Nacional usou como exemplo prático e cotidiano de falas usadas para desqualificar, diminuir e humilhar mulheres, que passariam a ser consideradas como crime de misoginia, a frase “não precisa reagir assim, você está de TPM”.

Na ocasião, durante um debate sobre o tema realizado pelo programa Band Mulher, da Band Bahia, uma jornalista foi além. Sugeriu que atitudes comuns no ambiente de trabalho, que parecem ser falta de educação pura e simples, poderiam ser consideradas como crime de misoginia com a aprovação do projeto. “Interromper ou duvidar da fala de uma mulher numa reunião, numa conversa, num debate… vem um colega de trabalho, por exemplo, e corta a fala no meio. Supermisógino esse comportamento”, afirmou.

De repente, até palavras usadas em piadas e memes por crianças e adolescentes passaram a ser problematizadas pelos patrulheiros e patrulheiras da linguagem alheia que dão aval ao projeto. Termos como “betinha” e “sigma”, que seriam originários de grupos misóginos da internet, para ironizar o “homem beta”, em oposição ao “homem alfa”, e valorizar o homem “alfa solitário”, que não precisa de validação social, entraram no índex da patrulha.

“A misoginia online não mira só as mulheres. Mira também os nossos meninos”, disse Tabata em publicação no X, na qual compartilhava uma reportagem sobre a questão. “Os xingamentos que viraram rotina entre crianças e adolescentes não nasceram no pátio da escola, mas em comunidades de ódios às mulheres. Nossos meninos não são o inimigo. São o alvo.”

Para ela, essa coisa de que o projeto vai permitir acusações indiscriminadas de misoginia, como a feita por Janja, conforme afirmou na tribuna da Câmara o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), é tudo “fake news”. Ela atribuiu também a derrota em conseguir votar o projeto antes do recesso parlamentar às “mentiras” propagadas a respeito da proposta.

noticia por : UOL

17 de julho de 2026 - 19:56

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