Letras douradas com o nome da Espanha e um arco de balões vermelhos e amarelos, cores da bandeira do país, decoravam a entrada do salão onde era transmitida a final da Copa contra a Argentina.
Em uma rua tranquila da Vila Monumento, a Casa de Espanha de São Paulo recebeu cerca de 250 torcedores. Sentados em mesas decoradas, também em vermelho e amarelo, eles acompanhavam a partida com comes e bebes. Quem chegou mais tarde precisou assistir em pé, concentrado ao fundo do salão.
No interior, 11 bandeiras da Espanha estavam penduradas no teto. Nas paredes, mais três decoravam o ambiente. Logo na entrada, balões com letras douradas e o escrito Espanha davam as boas-vindas ao público no salão. Os espectadores acompanharam o jogo por meio de um telão central e duas TVs.
A torcida era conduzida por um bumbo e um pandeiro, que marcavam o ritmo das sílabas de “Es-pa-nha”. O público acompanhava as batidas com palmas e gritava o nome do país.
Ao longo da partida, porém, a maior parte dos torcedores permaneceu sentada, tensa diante da disputa pela taça.
Cada sequência de posse de bola da seleção espanhola era recebida com aplausos. Já as finalizações da equipe arrancavam longos “uuuhs” da torcida, seguidos de gritos de incentivo, como “vamos”.
Quando a Argentina avançava, o tom mudava: “não, não, não”, repetiam os torcedores, apreensivos.
No intervalo, a tensão deu lugar à música. Canções ligadas à cultura espanhola embalaram o público, que dançou e acompanhou músicas flamencas com palmas. Instrumentos típicos também foram tocados no salão.
Apesar da presença de grandes artistas no show do intervalo exibido pela transmissão, a atenção do público oscilou.
O grupo BTS e o cantor Justin Bieber apareceram nas telas, mas muitos torcedores continuaram interagindo entre si. Shakira, por outro lado, recebeu um pouco mais atenção e levou parte do público a interromper as conversas para assistir.
Os primos Rafael, 32, e João Victor Ramirez, 31, acompanharam o jogo na Casa da Espanha. Os dois são nascidos no Brasil, mas têmcidadania espanhola. A dupla puxava os gritos ritmados.
“Eu sou torcedor assíduo do Barcelona e já tive algumas oportunidades de assistir [jogos] na Espanha. Acompanho de perto a trajetória do Lamine Yamal, que é um jogador que eu gosto muito e vem trazendo boas esperanças pra gente. Na Copa de 2010, a gente estava aqui torcendo pela Espanha”, disse João Victor.
“A seleção tem força de vontade e quer jogar futebol. Por ser um time que está junto há muito tempo, [o título] faz muito sentido. A gente consegue ver o bom jogo que eles estão fazendo nessa final”, afirmou Rafael.
A tensão dominou o segundo tempo. Os gritos de “Espanha” ficaram mais raros. Aos 16 minutos, uma defesa do goleiro argentino, Dibu Martínez, fez dezenas de pessoas se levantarem ao mesmo tempo antes de voltarem aos seus lugares.
A expulsão de Enzo Fernández mudou o clima no salão. Os torcedores comemoraram com aplausos, assobios e xingamentos direcionados ao argentino quando ele apareceu deixando o gramado nas telas. Alguns chegaram a mostrar o dedo do meio em direção à transmissão.
Na prorrogação, a maior parte do público seguiu sentada. O momento de maior tensão aconteceu quando a Espanha balançou as redes, mas o lance passou por revisão. Enquanto a arbitragem analisava uma possível falta na origem da jogada, vários torcedores se levantaram e questionaram a decisão. “Puta madre”, gritou um deles quando o jogo prosseguiu e o gol acabou anulado.
Ferran Torres abriu o placar nos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. Os torcedores ergueram cadeiras, agitaram bandeiras e celebraram aos gritos ritmados de “Espanha”. O bumbo e o pandeiro voltaram a soar pelo salão, retomando o que havia desaparecido com a tensão.
Pouco tempo depois, quando o relógio ultrapassou os 4 minutos, muitos já pediam o apito final mesmo com a Espanha já à frente. Estavam previstos 5 minutos.
Assim que a partida terminou, o salão explodiu em festa. O coro de “olé, olé, olé, campeones” tomou conta do ambiente.
Lançada em 2026, a canção “La Roja Se Siente”, de Gloria Branca, tocou várias vezes ao longo do evento. Só depois do apito final, com vitória espanhola, a canção foi exibida duas vezes seguidas. A composição combina elementos do pop com a tradicional guitarra flamenca.
“Somos paixão, coragem e loucura. A Vermelha caminha, a Vermelha se sente. Um só coração, Espanha é sua gente”, diz a letra.
Para João Victor, o título reforça a conexão que mantém com a Espanha, país do qual também é cidadão. Segundo ele, a conquista fortalece ainda mais o sentimento de pertencimento e a vontade de assistir aos jogos da seleção.
“A gente já viu mais da Espanha [no futebol] do que do Brasil. Então pra gente é uma coisa assim que nos torna cada vez mais espanhóis. Então a gente vem torcer mais e mais e mais, é radiante assim”, afirmou.
“É gostoso ganhar. A gente sabe que o futebol traz alegria para todo um povo. Ver o Lamine Yamal de onde saiu [com pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial] sendo campeão e levando isso para o mundo é sensacional”, disse.
Enquanto alguns torcedores também comemoravam o título tocando pandereta, um pandeiro com guizos, e tambor, outros assistiam à transmissão e davam tchau a Lionel Messi.
noticia por : UOL






