2 de agosto de 2026 - 15:58

João Rock reúne 65 mil pessoas dias após temporal que atingiu Ribeirão Preto

Uma semana depois de Ribeirão Preto viver um dos maiores temporais de sua história recente —que deixou uma pessoa morta, centenas de árvores derrubadas e levou a prefeitura a decretar estado de emergência—, o Parque Permanente de Exposições reuniu milhares de pessoas. Com tempo firme e sol forte, o João Rock recebeu cerca de 65 mil espectadores neste sábado (1º), em uma edição com ingressos esgotados.

O resultado representa uma recuperação em relação ao ano passado, quando o festival não conseguiu vender toda sua capacidade. Depois de uma edição marcada pelo público reduzido, o João Rock voltou a lotar, reafirmando sua posição como um dos principais festivais dedicados à música nacional.

Distribuído entre os palcos João Rock, Brasil, Aquarela, Fortalecendo a Cena e Eisen Rock Station, o evento reuniu mais de 30 atrações de diferentes gêneros. Ainda assim, a edição deste ano apresentou um retrocesso na presença feminina.

Apenas seis artistas eram mulheres, contra dez no ano anterior. No maior palco, o João Rock, não houve nenhuma apresentação feminina. As artistas permaneceram concentradas quase integralmente no Aquarela, espaço dedicado às mulheres.

Quem abriu o palco principal foi Chico Chico, seguido por Lagum e Detonautas, banda que aproveitou o festival para iniciar a turnê do álbum “Rádio Love Nacional”. Entre sucessos como “Você Me Faz Tão Bem”, “Só por Hoje” e “Outro Lugar”, o vocalista Tico Santa Cruz fez um discurso sobre espiritualidade e criticou o excesso de tempo gasto nas redes sociais.

“Se Deus não estiver em você, ele não vai estar na igreja, no pastor, no padre, em nenhum líder religioso”, afirmou o cantor antes de pedir que o público se abraçasse. Antes, disse ter percebido que estava “se intoxicando” com o excesso de telas e que passou a priorizar o convívio com as pessoas próximas.

O momento mais contemplativo veio com Zé Ramalho. Aos 77, celebrando cinco décadas de carreira, o paraibano mostrou que poucos recursos bastam quando o repertório atravessa gerações. Com formação enxuta —violão, saxofone, teclado, bateria e contrabaixo—, apresentou clássicos como “Beira-Mar”, “Táxi Lunar”, “Avôhai”, “Vida de Gado” e encerrou com “Sinônimos”, mais conhecida na voz de Chitãozinho & Xororó.

Na sequência, Alceu Valença reafirmou o espaço de encontro entre o rock e a música nordestina. Abriu com “Que Grilo Dá”, passou por “Pagode Russo”, “Estação da Luz”, “Girassol”, “Flor de Tangerina”, “Pisa na Fulô” e “Belle de Jour”, mostrando como guitarras, sanfona e flauta podem coexistir no mesmo espetáculo.

Ao interpretar “Táxi Lunar”, homenageou Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, antigos parceiros de “O Grande Encontro”.

No palco Brasil, a Nação Zumbi, com duas alfaias, guitarra, baixo, bateria e percussão, apresentou um repertório centrado na obra de Chico Science, incluindo “Computadores Fazem Arte”, “Um Sonho”, “Cidadão do Mundo”, “A Praieira” e “Maracatu Atômico”.

Houve poucas interações com o público, mas Jorge Du Peixe arrancou aplausos ao apontar para bandeiras de Pernambuco na plateia e afirmar que os pernambucanos são “muito bairristas”. Ao longo da apresentação, gritos de “Viva Chico” surgiam espontaneamente entre o público.

Já o palco Aquarela teve Marina Sena, protagonizando um dos shows mais concorridos ao apresentar músicas do álbum “Coisas Naturais”, lançado no ano passado. Vestindo figurino metálico coberto por pedrarias, a cantora sustentou a apresentação com o magnetismo que marca sua nova fase artística.

Foi também um dos poucos espetáculos do dia em que os leques —cada vez mais populares em shows com público LGBTQIA+— apareceram em peso entre os espectadores.

Foi justamente na transição entre o encerramento do show de Sena e o início da apresentação de Djonga que ficou evidente um problema na infraestrutura do festival. Dispostos perpendicularmente um ao outro, os palcos Aquarela e Fortalecendo a Cena atraem públicos distintos, e a movimentação simultânea de milhares de pessoas entre os dois espaços acabou provocando pontos de estrangulamento, dificultando a circulação.

Ainda se apresentaram no Aquarela as cantoras Urias, Rachel Reis, Luedji Luna e Ana Carolina.

No Fortalecendo a Cena, Djonga reuniu uma plateia visivelmente mais jovem do que a observada no palco principal. O rapper apresentou sucessos como “Fome”, “Real Demais”, “Hat-Trick”, “Penumbra” e faixas de “O Menino que Queria Ser Deus”, reafirmando a força do hip-hop dentro do festival, que ainda teve Ajullicosta, Criolo, Marcelo D2 e Rael.

Veterano na programação do festival, o CPM 22 esteve presente na primeira edição do João Rock e também na de 2024. Agora, a banda apresentou a turnê comemorativa de seus 30 anos de carreira. Clássicos como “Tarde de Outubro”, “O Mundo Dá Voltas” e “Um Minuto para o Fim do Mundo” embalaram o público, com participação especial de Di Ferrero na reta final do show.

noticia por : UOL

2 de agosto de 2026 - 15:58

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