A Justiça de Minas Gerais tornou ré a diarista suspeita de latrocínio (roubo seguido de morte) do advogado Cláudio Atala Inácio, 75, e da esposa dele, Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76.
Paola Stefany Neto Cirino, 30, está presa preventivamente desde 2 de julho e é apontada como autora do crime ocorrido em 29 de junho no apartamento do casal, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.
Paola havia sido denunciada pela Promotoria mineira na última quarta-feira (29) pelo crime de latrocínio duas vezes, e agravante de uso de meio cruel. Também foi denunciada por adulteração de provas por suspeita de ter manipulado a cena do crime e ter usado cartões bancários das vítimas.
O advogado Bruno Correa Lemos, que defende Paola, disse neste domingo (2) ter tomado conhecimento da denúncia. Em nota, ele afirma que “atuará ao longo de toda a ação penal em estrita observância aos preceitos constitucionais, exercendo de forma plena o direito à ampla defesa e ao contraditório” para a garantia dos direitos da acusada.
Em conversa com policiais enquanto era conduzida à delegacia, a diarista teria afirmado que colocou quatro comprimidos de uso pessoal em um suco preparado por Maria Clotilde, segundo a polícia.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, a diarista prestava serviços domésticos na residência do casal e teria adicionado remédios sedativos à bebida dos dois. Enquanto dormiam, diz a denúncia, Paola roubava objetos, e quando uma das vítimas acordou a acusada matou os dois por meio de golpes de faca. Depois, teria tentado apagar vestígios.
A Polícia Civil, que indiciou a diarista, disse que ela já teria decidido cometer o crime antes de estar no apartamento das vítimas. Paola teria ainda histórico de praticar roubos usando sedativos contra vítimas. Quando a polícia disse ter identificado clonazepam no sangue do casal de idosos, a defesa de Paola afirmou, também em nota, que os argumentos seriam apresentados no processo.
O clonazepam é o princípio ativo do Rivotril e atua no sistema nervoso central.
No dia da morte do casal, a acusada teria ido ao centro de Belo Horizonte para vender os bens e fazer compras nos cartões bancários. Um segundo acusado, proprietário de um restaurante na região central da capital, teria permitido passar os cartões no estabelecimento, dividindo igualmente os valores. Ele foi denunciado por furto mediante fraude. O nome não foi divulgado.
O crime
As vítimas foram encontradas mortas no apartamento delas no dia 30 de junho. Os corpos apresentavam lesões produzidas por instrumento perfurocortante, possivelmente uma faca, e sinais de defesa. Também foi encontrada uma gaveta violada no quarto do casal, além da ausência de telefones e de diversos bens.
Por não ter arrombamento na porta de entrada e devido ao controle de acesso ao edifício por senha ou liberação de morador, a investigação foi direcionada para a diarista que havia entrado pela primeira vez no local naquela data.
A suspeita foi presa dois dias depois, na cidade de Itabira, região central do estado. Ela estava em um hotel. Levantamentos apontaram que a mulher pretendia fugir para o Rio Grande do Sul, diz a polícia.
Durante a ação, os policiais localizaram com a diarista R$ 18.800, celulares, joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram apreendidos 165 comprimidos do medicamento.
noticia por : UOL






