A maioria dos brasileiros se identifica como sendo de direita, mas essa identificação continua sendo uma minoria quase residual entre os jornalistas. Essa é uma das principais conclusões do cruzamento dos dados do Perfil do Jornalista, um levantamento coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com pesquisas recentes sobre o posicionamento político da população brasileira.
Entre os jornalistas, segundo o levantamento da universidade, a esquerda, centro-esquerda ou até mesmo a extrema esquerda reúnem, somadas, pelo menos 70% dos profissionais em todos os nove estados analisados pela pesquisa. No Ceará, esse percentual chega a 90,1%; no Rio de Janeiro, a 87,5%; no Rio Grande do Sul, a 80,5%; no Distrito Federal, a 80,1%; em São Paulo, a 79,9%. As maiores proporções de jornalistas identificados com a direita ou centro-direita aparecem no Paraná e Santa Catarina — e ainda assim são apenas 6,8% e 6,4%, respectivamente.
Considerando os nove estados, a média é de aproximadamente 79,7% de jornalistas identificados com a esquerda, contra apenas 4,1% identificados com a direita ou centro-direita. Os estados que estão abaixo da média nacional são Minas Gerais, com 79,5%; Bahia, com 75,6%; Paraná, com 73,4%; e Santa Catarina, com 70,4% dos jornalistas se identificando como sendo de esquerda.
Veja os detalhes do levantamento do Perfil do Jornalista da UFSC
| Estado | Esquerda | Centro-esquerda | Extrema esquerda | Direita | Centro-direita | Extrema-direita |
| Bahia | 55,1% | 19,3% | 1,2% | 1,2% | 2,5% | — |
| Ceará | 63% | 25,2% | 1,6% | 0,8% | — | — |
| Distrito Federal | 47% | 33,1% | — | 1,7% | 3,4% | 0,4% |
| Minas Gerais | 55,7% | 23,8% | — | 1,7% | 2% | — |
| Paraná | 41,4% | 29,7% | 2,3% | 1,9% | 4,9% | — |
| Rio de Janeiro | 59,3% | 25,1% | 3,1% | 0,7% | 2,4% | — |
| Rio Grande do Sul | 50,6% | 27,6% | 2,3% | 0,9% | 2,8% | — |
| Santa Catarina | 48,7% | 21,7% | — | 2,7% | 3,7% | — |
| São Paulo | 52,9% | 2,7% | — | 1,1% | 2,3% | — |
Dados da UFSC contrastam com pesquisas do Senado e Datafolha
O contraste com o conjunto da população é expressivo. Uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada com 2.004 eleitores em 139 municípios brasileiros entre 17 e 18 de junho de 2026 apontou que 44% dos brasileiros se identificavam com a direita ou centro-direita, enquanto 39% se colocavam à esquerda ou centro-esquerda. Os restantes se posicionavam no centro.
Outro levantamento, feito pelo DataSenado em 2024 com mais de 21,8 mil entrevistados, encontrou um eleitorado no qual a direita superava a esquerda em todos os nove estados que aparecem no levantamento da UFSC. No Paraná, por exemplo, 36% dos entrevistados se declararam de direita, contra 11% de esquerda. Em Santa Catarina, eram 37% contra 10%. Em São Paulo, 30% contra 16%. No Ceará, mesmo um dos estados com maior proporção de eleitores de esquerda, a direita aparecia com 23%, contra 17% de esquerda.
O perfil político dos jornalistas não acompanha a distribuição ideológica encontrada entre os cidadãos em nenhum dos estados cobertos pela pesquisa da UFSC. No Ceará, por exemplo, onde 23% da população se declarava de direita em 2024 segundo o DataSenado, apenas 0,8% dos jornalistas pesquisados pela universidade se identificavam com esse campo. No Paraná, a diferença também é grande: 36% da população se dizia de direita, contra 6,8% dos jornalistas.
Os números não significam que quatro em cada cinco jornalistas sejam filiados a partidos de esquerda, como bem detalha o levantamento da UFSC. Em todos os estados pesquisados no Perfil dos Jornalistas, pelo menos 80% dos profissionais não são filiados a partidos políticos. Ainda assim, entre aqueles que vincularam seus nomes às agremiações, o partido mais escolhido é o PT – a exceção é a Bahia, onde as filiações petistas perdem apenas para aquelas feitas no PCdoB.
Os números mais recentes do Perfil dos Jornalistas da UFSC, levantados em nove estados, seguem uma tendência que havia sido registrada em nível nacional em 2022. Naquele ano, a pesquisa mostrou que a maioria esmagadora (81%) dos que responderam sobre convicções políticas se declararam de esquerda (52,8%) ou centro-esquerda (29%). Por outro lado, apenas 4% dos jornalistas disseram ter posicionamento mais à direita (sendo 1,4% de direita e 2,5% de centro-direita). Até mesmo os que se identificam como extrema-esquerda (2%) superam os que os que se dizem de direita. Apenas 0,1% classificam-se como de extrema-direita.
Alinhamento à esquerda também aparece em dados do TSE
Os jornalistas estão entre as profissões com mais candidatos por partidos de esquerda no Brasil. Um levantamento feito pela Gazeta do Povo com as mais de 20 mil candidaturas registradas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que 28,1% dos jornalistas candidatos são filiados a partidos de esquerda, contra 15,1% candidatos por partidos de direita.
No campo da esquerda, os partidos que mais atraem os candidatos jornalistas são, nessa ordem, PDT (26), PSB (23), PSOL (16) e PT (15). Na direita, o Novo (27), PL (22) e Missão (4) registram mais candidaturas.
noticia por : Gazeta do Povo





