10 de setembro de 2026 - 9:09

EUA parabenizaram mais de 180 países em 12 meses; Brasil, Coreia do Norte, Irã e mais 7 são ignorados


Brasil e EUA se reúnem virtualmente para discutir tarifaço
O Departamento de Estado dos Estados Unidos não publicou, pelo segundo ano consecutivo, um comunicado em homenagem ao Dia da Independência do Brasil, celebrado na segunda-feira (7). A prática é usada pelo governo americano para parabenizar países pelo “Dia Nacional”, que pode marcar desde aniversários de independência até a celebração de uma padroeira.
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Um levantamento feito pelo g1 com base em comunicados publicados no site do Departamento de Estado apontou que, nos últimos 12 meses, os EUA enviaram parabéns a governos ou povos de mais de 180 países. O Brasil aparece ao lado de outras nove nações que ficaram de fora.
Além do Brasil, o governo norte-americano também não publicou comunicados para Afeganistão, Coreia do Norte, Etiópia, Guiné, Irã, Líbia, Santa Lúcia, Síria e Sudão.
A última vez que os EUA publicaram um comunicado parabenizando o Brasil pelo Dia da Independência foi em 2024, durante o governo do presidente Joe Biden.
À época, o então secretário de Estado, Antony Blinken, assinou uma nota com “saudações calorosas” ao povo brasileiro.
“Que os anos vindouros continuem a fortalecer nossos laços e nossos valores democráticos compartilhados. Os Estados Unidos desejam ao povo brasileiro uma feliz celebração do Dia da Independência”, dizia a nota.
Mas o tom mudou após o presidente Donald Trump voltar à Casa Branca, em janeiro de 2025. Desde então, as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos se deterioraram e entraram em uma crise com a aplicação de tarifas e sanções por parte do governo norte-americano.
📄 O g1 perguntou ao Itamaraty se os EUA haviam enviado algum comunicado ao governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores orientou a reportagem a buscar o governo norte-americano. Já o Departamento de Estado não respondeu a um pedido de comentário.
É comum que os Estados Unidos publiquem notas públicas sobre o “Dia Nacional” de um país amigo. No último ano, o governo Trump comemorou até mesmo datas importantes de países com relações conturbadas, como Rússia, China e Venezuela.
Na terça-feira (8), por exemplo, o Departamento de Estado enviou felicitações a Andorra, que fica entre a Espanha e a França. Na data, o país celebra o Dia de Nossa Senhora de Meritxell, padroeira de Andorra e feriado que corresponde ao Dia Nacional do país.
“Enquanto o povo de Andorra celebra este dia importante, os Estados Unidos reafirmam sua parceria com o Principado e estendem seus mais calorosos cumprimentos ao povo andorrano no próximo ano”, diz a nota assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
👉 Veja no mapa abaixo os países que os EUA parabenizaram nos últimos 12 meses:
Parabéns dos EUA nos últimos 12 meses, entre setembro de 2025 e setembro de 2026
Gui Sousa/g1
Há algumas exceções a serem notadas:
No caso de Bahamas, Iêmen, Israel e Tunísia, não foi localizado nenhum comunicado do Departamento de Estado. Apesar disso, as embaixadas dos EUA nesses países fizeram posts sobre as datas nas redes sociais.
Sobre Cuba, o secretário Marco Rubio publicou uma nota e um vídeo diretamente dirigidos ao povo cubano, nos quais reafirma “o apoio inabalável dos Estados Unidos ao povo cubano em sua busca por liberdade, dignidade e autodeterminação”.
Em relação à Líbia, a mídia local afirmou em janeiro que Trump enviou uma carta ao presidente Mohamed Menfi parabenizando-o pelo aniversário da independência. No entanto, o g1 não encontrou manifestações públicas do governo dos EUA.
O levantamento levou em consideração publicações feitas entre 10 de setembro de 2025 e esta quarta-feira (9).
Crise diplomática
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
As relações entre Brasil e Estados Unidos começaram a se deteriorar em julho do ano passado, quando Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos americanos.
Na época, o presidente dos EUA justificou o tarifaço pelo que chamou de “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos meses seguintes, negociações entre o governo brasileiro e a Casa Branca ajudaram a reduzir as tensões.
No fim de 2025, os EUA aliviaram as tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras.
Além disso, Lula e Trump se encontraram duas vezes. O presidente brasileiro visitou Washington em 7 de maio para se reunir com o líder americano, que chegou a elogiar o petista.
No entanto, a relação entre os dois países voltou a se desgastar no fim de maio, quando os EUA classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A decisão foi anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se reunir com Trump e com o secretário Marco Rubio nos Estados Unidos.
Semanas depois, os EUA anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor uma taxa de 25% como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio.
A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.
Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais relacionadas à falta de combate ao trabalho forçado.
Ainda em 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
Os dois foram citados em reportagem do jornal The Washington Post como responsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Um porta-voz do Departamento de Estado negou que os funcionários pretendiam interferir nas eleições.
Segundo os EUA, a visita tinha como objetivo discutir “integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão” com autoridades brasileiras e representantes da sociedade civil.
Embaixadora com visto revogado
Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos
Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance
Em agosto, o visto da embaixadora do Brasil em Washington foi revogado. Segundo o Departamento de Estado, a medida foi uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
Perez foi indicado ao cargo de embaixador dos EUA no Brasil em junho. Segundo o blog da Ana Flor, a indicação dele causou mal-estar no governo brasileiro porque o anúncio foi feito antes de uma consulta reservada às autoridades brasileiras.
Tradicionalmente, a nomeação de um embaixador só é anunciada após o país anfitrião sinalizar que aceita a indicação.
No caso de Perez, o pedido de aval foi feito ao governo brasileiro mais de duas semanas após o anúncio da indicação pela Casa Branca.
Em nota divulgada à época, o Itamaraty repudiou a decisão americana e disse que as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado são “falsas”.
“[A medida] Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, afirmou.
“Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente.”
Em uma entrevista no fim do mês passado, Perez afirmou que não irá se envolver nas eleições presidenciais de outubro. Ele também disse que irá trabalhar para que Brasil e EUA alcancem um acordo comercial que seja benéfico para os dois países.
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Fonte: G1

10 de setembro de 2026 - 9:09

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