Nunes atribui morte na Brasilândia, em SP, a decisão judicial que barrou remoção

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), atribuiu à Justiça a responsabilidade por impedir a remoção de moradores de uma área de risco na Brasilândia, zona norte paulistana, onde uma mulher de 47 anos morreu após um deslizamento de terra na quarta-feira (14).

Segundo Nunes, a Justiça impediu a remoção das casas em 6 de outubro. O prefeito, porém, não detalhou o teor da decisão durante uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (16).

“Quem vai pagar por essa vida da pessoa que poderia ter sido retirada?”, questionou.

A Folha procurou o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) por e-mail e telefone às 15h05, às 15h20 e às 19h50 desta sexta-feira (16), mas não havia recebido resposta até a publicação desta reportagem.

A vítima, Rosa Fidelis Gaspar, morreu depois que um deslizamento atingiu sua residência. O caso foi registrado como morte acidental por desabamento no 72º Distrito Policial, na Vila Penteado.

Em entrevista à TV Globo em janeiro de 2024, Rosa já relatava o medo de morar no local. Ela contou que havia sofrido um acidente dentro de casa e estava com dificuldade para andar. Na ocasião, também disse que a chuva invadiu o imóvel e explicou por que continuava ali: “eu não tenho outro lugar para morar”.

Nunes afirmou que o local fica próximo ao córrego Bananal, na Brasilândia, onde a prefeitura executa uma obra de canalização orçada em cerca de R$ 84 milhões.

A intervenção prevê a canalização de um trecho de 1.274 metros e obras de contenção das margens, com o objetivo de ampliar a capacidade de drenagem e reduzir alagamentos na região. A conclusão está prevista para 2027.

“Quem tem condições e tem obrigação de fazer em melhor condição de avaliação o que deve ser feito é a prefeitura”, afirmou o prefeito, ao defender que o Judiciário e o Ministério Público apoiem as medidas municipais para retirar moradores de áreas de risco.

A declaração ocorreu dois dias depois do temporal que provocou alagamentos em diferentes regiões de São Paulo. Além da morte na Brasilândia, a chuva inundou o túnel do Anhangabaú, no centro, e fez transbordar o lago do parque Ibirapuera, na zona sul.

O Ministério Público de São Paulo também cobrou explicações da prefeitura sobre a resposta ao temporal. Em manifestação judicial, a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo pediu informações sobre as medidas emergenciais adotadas e cobrou o cumprimento de uma sentença que obriga a gestão municipal a apresentar planos de curto, médio e longo prazo para prevenção e controle de enchentes.

A Promotoria solicitou que a prefeitura prestasse esclarecimentos em 48 horas e pediu a aplicação de multa diária de R$ 10 mil por descumprimento da decisão. A gestão Nunes afirmou que apresentou os planos em dezembro de 2025 e que os atualiza com base no Plano Diretor de Drenagem, de setembro deste ano.

noticia por : UOL

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