Eleições nos EUA: governo Trump tenta barrar eventual vitória de democrata ao Senado pelo Alasca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (23) que orientou o Departamento de Justiça a tentar impedir que o Alasca confirme o resultado da eleição para o Senado caso o atual senador republicano, Dan Sullivan, perca por uma margem pequena. O órgão alega que a presença de dois candidatos republicanos com nomes quase idênticos pode confundir os eleitores.
A pasta protocolou a ação nesta sexta, alegando que a candidatura de Dan J. Sullivan Jr., também republicano, pode confundir eleitores que pretendem votar no senador Dan Sullivan, que tenta a reeleição.
“Fui eu quem disse para fazer isso”, disse Trump a jornalistas.
A iniciativa ocorre a menos de duas semanas das eleições legislativas de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso americano.
Lideranças do partido afirmam que Sullivan Jr. seria uma estratégia dos democratas para dividir os votos e facilitar a vitória de Mary Peltola, ex-juíza, ex-deputada e integrante de um povo indígena do Alasca.
Ela é a principal adversária do senador e pode ajudar o Partido Democrata a conquistar a maioria na Casa. Sullivan Jr. e os democratas negam que a candidatura tenha esse objetivo. Pesquisas eleitorais recentes apontaram empate ou pequena vantagem de Peltola na disputa.
O órgão pediu que a Justiça impeça a certificação de um resultado que possa ter sido afetado pela confusão entre os candidatos. A solicitação também prevê uma investigação para determinar se os votos recebidos por Dan J. Sullivan Jr. eram, na verdade, destinados ao senador.
Em comunicado, um porta-voz do Departamento de Justiça afirmou que a agência está tomando “as medidas necessárias para garantir que essa candidatura frívola não comprometa a integridade da eleição no Alasca nem a vontade dos eleitores”.
Mais cedo, o procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que o governo não pretende interferir indevidamente nas eleições ou no processo de certificação dos resultados. Ele, no entanto, não descartou completamente a possibilidade de uma intervenção em circunstâncias específicas.
“Não é intenção do Departamento de Justiça interferir indevidamente nas eleições ou no processo estadual de confirmação ou certificação dos resultados. Mas dizer que não existe nenhuma circunstância em que faríamos isso? É claro que não vou dizer isso”, declarou Blanche a jornalistas.
Democratas acusam o governo Trump de tentar influenciar as eleições de novembro por meio da ampliação do controle federal sobre disputas conduzidas pelos estados e de questionamentos recorrentes à legitimidade dos resultados eleitorais.
Trump tentou reverter o resultado da eleição presidencial de 2020, quando foi derrotado pelo democrata Joe Biden.
A Constituição americana atribui aos estados a principal responsabilidade pela organização das eleições. O Congresso, por sua vez, tem poderes para estabelecer regras para as disputas federais.
Trump venceu no Alasca por 13 pontos percentuais na eleição presidencial de 2024. Apesar disso, o aumento da insatisfação com os republicanos e com o presidente em âmbito nacional fortalece as chances de Peltola na disputa pelo Senado.
O Alasca é um estado de grande extensão territorial e tem cerca de 740 mil habitantes.
A iniciativa foi criticada por David Becker, do Centro para Inovação Eleitoral e Pesquisa, organização apartidária que assessora autoridades eleitorais. Segundo ele, o governo federal não tem autoridade para determinar quando ou como o Alasca deve certificar o resultado da eleição para o Senado. Becker também afirmou que a questão já foi analisada pelos tribunais do estado.
Especialistas em direito eleitoral também questionaram a ação. O professor de direito da Universidade de Notre Dame Derek Muller afirmou, em um artigo publicado em seu blog, que a iniciativa parece buscar repercussão pública, e não uma vitória judicial. Ele classificou o argumento jurídico do governo como um dos piores que já viu.
Dan J. Sullivan Jr., que trabalhou para o Serviço Florestal dos Estados Unidos e como professor do ensino fundamental, registrou sua candidatura em 29 de maio. Em seu site de campanha, ele afirma que pretende derrotar o senador e colocar os interesses do Alasca em primeiro lugar.
Com Reuters e AFP
Esta reportagem está em atualização.
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Fonte: G1

