21 de maio de 2026 - 4:59

Raúl Castro indiciado, porta-aviões no Caribe e mais: os sinais de que Trump está fechando o cerco contra Cuba


EUA monitoram ameaça de drones em Cuba, diz Axios
Raúl Castro, irmão de Fidel Castro e ex-presidente de Cuba, foi acusado de uma série de crimes pelos Estados Unidos nesta quarta-feira (20). O movimento é mais um entre os esforços do governo de Donald Trump para aumentar a pressão contra a ilha.
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▶️ Contexto: O governo dos EUA acusou Castro de ter planejado e executado uma operação militar para derrubar duas aeronaves da organização de exilados Irmãos ao Resgate, em 1996. À época, ele era ministro da Defesa de Cuba.
O caso é considerado um dos episódios mais delicados da relação entre EUA e Cuba.
O ex-presidente é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos.
Atualmente, Castro tem 94 anos.
A acusação representa uma escalada nas tensões entre os dois países e lembra o movimento dos EUA contra a Venezuela que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.
Cuba sempre esteve no radar de Donald Trump. No entanto, a pressão sobre a ilha aumentou após a captura de Maduro, em 3 de janeiro.
Depois de os EUA lançarem a operação contra a Venezuela, a Casa Branca passou a interferir diretamente no governo de Caracas. Uma das medidas foi bloquear o envio de petróleo para Cuba, o que causou uma grave crise energética na ilha.
Desde fevereiro, Cuba vem enfrentando apagões constantes, já que depende principalmente de usinas termoelétricas movidas a combustíveis fósseis. Estratégias de racionamento chegaram a ser adotadas, mas as reservas se esgotaram neste mês, segundo o governo cubano.
Pressão
Incidente em meio a tensão entre EUA e Cuba, após a imposição de embargo petrolífero à ilha por Washington
CTK Photo/IMAGO via DW
Enquanto a crise em Cuba se agravava, a pressão dos Estados Unidos aumentava. O próprio presidente norte-americano fez uma série de declarações indicando que estaria disposto a tomar a ilha.
Em março, Trump afirmou a jornalistas na Casa Branca que seria uma “honra” tomar Cuba.
No início de maio, o presidente voltou a dizer que os EUA poderiam “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã.
A imprensa americana já havia reportado que o governo Trump buscaria uma mudança de regime em Cuba até o fim de 2026.
Além das declarações, os EUA também adotaram medidas militares na prática. Nos últimos meses, agências norte-americanas intensificaram voos de vigilância em áreas próximas a Cuba. A movimentação inclui aeronaves e drones.
Especialistas afirmam que os voos funcionam como uma estratégia de intimidação, além de uma forma de demonstrar força e aumentar a pressão psicológica sobre Havana.
O mesmo foi feito com a Venezuela poucas semanas antes da operação militar dos EUA.
No dia 14 de maio, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades cubanas em Havana. A CIA disse ter transmitido uma mensagem de Trump de que os Estados Unidos estariam dispostos a discutir temas econômicos e de segurança caso Cuba faça “mudanças fundamentais”.
Segundo a mídia estatal Cubadebate, os dois lados demonstraram interesse em ampliar a cooperação entre as agências de segurança e de aplicação da lei.
Venezuela e EUA também dialogaram antes da invasão, inclusive com uma conversa telefônica entre Maduro e Trump pouco mais de um mês antes da prisão do venezuelano.
Já nesta segunda-feira, no mesmo dia em que Raúl Castro foi indiciado por autoridades americanas, os Estados Unidos fizeram uma série de anúncios sobre a ilha.
Trump disse que os norte-americanos estavam “libertando Cuba” e afirmou que não podia dizer o que aconteceria com a ilha.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gravou um vídeo direcionado aos cubanos propondo “uma nova Cuba” por meio de uma relação direta entre os EUA e a população local.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, disse que Castro vai comparecer aos EUA para responder às acusações “por vontade própria ou de outra forma”.
Além disso, o Comando Sul dos EUA anunciou que o porta-aviões USS Nimitz chegou à região do Caribe. Uma embarcação semelhante foi usada na operação que prendeu Maduro.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou o indiciamento de Raúl Castro como uma ação política sem base jurídica. Dias antes, ele afirmou que a ilha tinha o direito de se defender de uma ofensiva bélica e que uma intervenção militar na região provocaria um “banho de sangue”.
Negociações
Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro
Yamil Lage/AFP
Com a crise se agravando, Havana se viu forçada a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em um pronunciamento na TV, no dia 13 de março.
À época, o jornal The New York Times revelou que a Casa Branca pressionava para que Díaz-Canel deixasse o cargo a fim de destravar as negociações.
Segundo o jornal, os EUA não exigiam mudanças amplas no regime comunista nem ações contra membros da família Castro.
A reportagem disse ainda que os cubanos reconhecem que o governo Díaz-Canel é problemático, mas tentam encontrar uma forma de substituí-lo sem parecer que a decisão foi ditada pelos EUA.
As conversas continuaram nas últimas semanas e estariam sendo conduzidas sob coordenação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.
Filho de imigrantes cubanos, Rubio cresceu politicamente com apoio de exilados cubanos nos EUA e defende a queda do regime comunista na ilha. Segundo a imprensa americana, assessores dele estão em contato com autoridades cubanas para discutir possíveis termos de negociação.
Em fevereiro, o site norte-americano Axios afirmou que o próprio secretário mantinha conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro à margem do governo cubano.
Conhecido como “Raulito” ou “El Cangrejo”, ele tem 41 anos, é neto do ex-presidente cubano Raúl Castro e sobrinho-neto de Fidel Castro.
Apesar de não ocupar cargo no governo, a participação dele como interlocutor nas conversas indicaria que a família Castro continua influente nas decisões políticas do país.
Em abril, segundo o The Wall Street Journal, ele tentou enviar uma carta secreta para Trump propondo acordos econômicos e de investimento, além de alívio de sanções.
Por outro lado, segundo o jornal, ele alertou que Cuba estava se preparando militarmente para uma possível invasão dos Estados Unidos.
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Fonte: G1

21 de maio de 2026 - 4:59

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