23 de maio de 2026 - 17:50

Mato Grosso leiloa em junho restos de VLT previsto para a Copa de 2014

O que restou do que deveria ser uma das principais obras de mobilidade no país para a Copa do Mundo de 2014 agora está sendo vendido como sucata ou em estado irrecuperável.

O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá deveria estar funcionando desde junho daquele ano, mas três mundiais se passaram e o pouco que foi feito após um gasto superior a R$ 1 bilhão começou a ser desmontado em 2023 na capital mato-grossense e em Várzea Grande.

Anunciado em 2012, o projeto do VLT mato-grossense foi questionado desde o início quanto à sua viabilidade econômica, ao valor investido e se seria entregue a tempo para a principal competição entre seleções de futebol do mundo.

O sistema chegou a ter seis quilômetros de trilhos instalados, além de cabos elétricos e catenárias, mas não passou disso. O governo estadual dá o caso como encerrado desde 2020, quando optou por abandonar o VLT e transformar o sistema em BRT –corredores expressos de ônibus.

Há três anos, em valores nominais, seriam necessários R$ 760 milhões para terminar o VLT, enquanto o BRT sairia por R$ 480 milhões, sem contar R$ 200 milhões para comprar 54 ônibus articulados, conforme os cálculos do governo.

Agora, a Secretaria de Planejamento e Gestão de Mato Grosso fará um leilão presencial e online no dia 15 de junho para vender bens que foram ou seriam usados na construção e operação do VLT, alguns deles possivelmente vencidos, outros em estado de sucata e alguns avaliados como “reaproveitáveis”.

Foram comprados também 40 trens, que já foram comercializados pelo estado com a Bahia, para utilização no VLT de Salvador, mas há 91 lotes disponibilizados para o leilão, com valores entre R$ 500 e R$ 5 milhões.

O montante previsto para arrecadação, caso todos os itens sejam vendidos pelo preço mínimo, é de R$ 21,786 milhões. Os lotes mais baratos são os de números 40 e 4. O primeiro é composto por cinco unidades de mangote vibrador, sem uso, enquanto o segundo possui EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como capacetes e cintos de segurança –”possivelmente vencidos”, aponta o edital.

Já o mais caro é o lote 24, que contempla cerca de cem unidades de vigas pré-moldadas de 1,4 m de altura e 25 m de comprimento, para pontes e viadutos.

É possível também comprar cinco quilômetros de trilhos por apenas R$ 18 mil –no caso de lance único–, com um “detalhe”: caberá ao comprador retirar o material, que está concretado, das ruas. Os custos para a desmontagem e o transporte serão de quem arrematar.

Os lotes contêm ainda postes semafóricos, peças ferroviárias, ferragens e componentes elétricos e eletrônicos.

As visitas aos lotes poderão ser feitas entre os dias 8 e 12, no barracão que seria do VLT, vizinho ao aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Segundo o governo, os valores arrecadados poderão ser usados para custear as obras do BRT.

No caso dos trens vendidos para a Bahia, Mato Grosso deverá receber R$ 793,7 milhões em quatro parcelas anuais, dinheiro que, conforme o governo, também será utilizado no BRT.

Foram disputados quatro jogos da Copa de 2014 em Cuiabá, entre Chile e Austrália, Rússia e Coreia do Sul, Nigéria e Bósnia e Herzegovina e Japão e Colômbia.


LINHA DO TEMPO DO VLT DE CUIABÁ

Jun.12 Estado assina contrato com o Consórcio VLT Cuiabá por R$ 1,4 bilhão com prazo de 24 meses para as obras

Mar.14 Concedido aditivo de prazo de 12 meses para conclusão da obra (Abril de 2014)

Jun.14 Data em que o sistema deveria estar operando, conforme o cronograma inicial

Dez.14 Governo determina paralisação das obras, alegando atrasos no cronograma, entre outros problemas. O contrato foi paralisado com 30% das obras físicas feitas e gasto de R$ 1,066 bilhão

Abr.15 Sem entendimento para retomar as obras, ação conjunta do Estado e dos ministérios públicos Estadual e Federal resulta na suspensão judicial do contrato

Jan.16 KPMG apresenta relatório apontando R$ 602,7 milhões como o valor necessário para concluir as obras. O consórcio pedia R$ 1,2 bilhão

Mar.17 Após pedido do governo, KPMG apresenta cálculo atualizado, que indica a necessidade de R$ 889 milhões; após rodadas de negociação, acordo é fechado por R$ 922 milhões

Ago.17 Operação Descarrilho da PF, para investigar suposto pagamento de propina por parte do consórcio ao ex-governador Silval Barbosa; governo estadual decidiu rescindir o contrato unilateralmente com as empresas do VLT. Após a operação, gestão Pedro Taques rompe unilateralmente o contrato entre o estado e o Consórcio VLT, alegando corrupção.

Jun.19 Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a rescisão unilateral do contrato entre o governo e o consórcio. As empresas recorreram da decisão ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), que já negou por duas vezes os recursos.

Dez.20 O governador Mauro Mendes anuncia a substituição do VLT para o BRT

Dez.21 Governador Mauro Mendes paga quase R$ 600 milhões referente ao empréstimo com a Caixa para o VLT e quita a dívida do Estado.

Abr.22 Governador homologou o resultado da licitação em abril deste ano, no valor de R$ 468 milhões

Dez.22 Empresa do Consórcio Construtor BRT Cuiabá começa a retirada das estruturas que serviriam como suporte para cabos energizados do VLT no município de Várzea Grande

Jun.24 Julgamento no TCE (Tribunal de Contas do Estado) da Bahia decide pela regularidade do processo de negociação dos trens entre os dois estados

Jun.26 Governo de Mato Grosso fará leilão de estruturas remanescentes do VLT de Cuiabá; se todos os lotes forem vendidos pelo valor mínimo, o estado arrecadará R$ 21,786 milhões

noticia por : UOL

23 de maio de 2026 - 17:50

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