26 de junho de 2026 - 15:37

Médico saudita que matou 6 em mercado de Natal pega prisão perpétua na Alemanha

O médico saudita que matou seis pessoas e feriu centenas acelerando um BMW alugado em um mercado de Natal, em 2024, no leste da Alemanha, foi condenado à prisão perpétua nesta sexta-feira (26).

O episódio, ocorrido durante a última campanha eleitoral no país, insuflou uma ofensiva anti-imigratória protagonizada pelo atual primeiro-ministro, Friedrich Merz.

A argumentação, no entanto, logo perdeu substância. Taleb A., que tem o sobrenome preservado pelas leis de privacidade alemãs, cultivava uma retórica anti-Islã e postagens simpáticas à extrema direita no país.

Segundo os promotores, o ato não teve cunho político. “Ao longo de todo o julgamento, o réu demonstrou transtorno de personalidade narcisista, diagnóstico confirmado pela perícia”, declarou um porta-voz do Tribunal Regional de Magdeburgo em comunicado. “Isso significa que ele se coloca no centro de tudo. Ele só vê a si mesmo e não o sofrimento das outras pessoas.”

Cinco mulheres de 45 a 75 anos e um menino de 9 anos morreram em consequência do atropelamento em série. Dezenas de testemunhas e ao menos 40 advogados participaram do julgamento, que demandou a construção temporária de uma sala de tribunal maior.

Segundo a promotoria, Taleb A. planejou cuidadosamente o ataque depois de fracassar em uma série de tentativas de organizar uma frente anti-Islã na Alemanha. Ele fazia críticas ao liberalismo do país, que não seria suficientemente rigoroso com imigrantes sauditas que não se desconectavam da religião.

O médico chegou à Alemanha em 2006, pediu asilo político dez anos depois e trabalhava como psiquiatra em uma clínica de reabilitação. Segundo as autoridades, a despeito do ativismo islamofóbico, Taleb A. não era considerado um risco para a sociedade.

A não classificação gerou críticas de políticos e especialistas, assim como as falhas de segurança que permitiram o acesso ao mercado de Natal em Magdeburgo. Desde o ataque terrorista perpetrado por um representante do Estado Islâmico, em 2016, em Berlim, todo um protocolo foi desenvolvido no país para evitar o acesso de veículos a eventos do tipo.

No caso da capital da Saxônia-Anhalt, que pode eleger um governador da AfD, a sigla de extrema direita, em setembro, faltaram barreiras móveis em um trecho de metros de calçada. Foi por ele que Taleb A. invadiu a área de barracas, lotada de pedestres no momento do ataque.

O médico foi contido pela polícia e preso logo depois de deixar o quarteirão do mercado, no centro de Magdeburgo.

Semanas após o episódio, Merz, em campanha para se tornar premiê, apresentou moções ao Bundestag, o Parlamento alemão, para recrudescer a política imigratória no país. E uma das votações, admitiu contar com o apoio da AfD, em afronta ao “Brandmauer”, o termo em alemão para firewall ou cordão sanitário, em vigor na Alemanha —nenhum partido democrático aceita negociar ou contar com os votos da sigla extremista.

Merz acabou eleito, mas antes foi censurado pelo polêmico ato por centenas de milhares de manifestantes em diversas cidades da Alemanha, no começo de 2025.

Ao declarar a sentença nesta sexta-feira, a corte de Magdeburgo qualificou a conduta de Taleb A. como de “gravidade excepcional”, o que deve impedir que consiga uma revisão de sentença após 15 anos de prisão, como prevê o sistema jurídico alemão.

noticia por : UOL

26 de junho de 2026 - 15:37

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