O passe de Oscar Bobb foi excelente, o cruzamento de Patrick Berg venceu três zagueiros, mas o toque de Haaland foi quase como um domínio errado. No futebol, isso não importa. Bastou uma cutucada culposa para que a bola morresse na rede aos 41 do segundo tempo, e assim a Noruega venceu a Costa do Marfim por 2 a 1 nesta terça-feira (30), em Dallas, pela fase dos 32 da Copa do Mundo.
Com isso, os nórdicos serão os adversários do Brasil nas oitavas de final no próximo domingo (5), às 17h, em Nova Jersey. O confronto opõe Haaland a um dos seus mais ferozes marcadores, inclusive. Ele, pelo Manchester City, e Gabriel Magalhães, pelo Arsenal, têm desavenças constantes no Campeonato Inglês, e são lideranças importantes nos dois times atualmente protagonistas no país.
Os europeus têm um retrospecto favorável contra a seleção brasileira, de quem nunca perderam. Foram quatro confrontos até aqui e só um em Copa do Mundo: em 1998, na fase de grupos, os norugueses venceram por 2 a 1.
As outras três partidas foram amistosas, com dois empates por 1 a 1, em 1988 e 2006, e uma vitória noruguesa, por 4 a 2, em 1997.
O jogo deu até a impressão de que só golaços seriam possíveis. O de Antonio Nusa, conhecido como “Neymar norueguês”, evocou o brasileiro. Aos 38 minutos do primeiro tempo, ele recebeu passe de Odegaard, balançou os marcadores e chutou de pé direito, no ângulo.
Só que do outro lado havia Diallo, que entrou em campo aos 14min do segundo tempo. Ele precisou de outros 14 para empatar a partida. Na velocidade, ele tabelou com Pépé, rabiscou a defesa e bateu de canhota na bochecha da rede.
Nyland ainda fez grande defesa em cobrança de falta do próprio Diallo para garantir o empate aos 50min do segundo tempo.
A dinâmica da partida foi a mesma por quase todo o jogo. A Noruega tinha posse de bola, mas sem levar grande perigo, enquanto a Costa do Marfim tentava sair em velocidade sempre com o trio de ataque produzindo boas jogadas.
A dificuldade norueguesa para construir foi tanta que as torres do setor ofensivo, especialmente Haaland, tiveram poucas chances. Tudo bem, ele só precisou de uma.
Classificados, ainda no gramado, os jogadores noruegueses comandaram, com um tambor, a tradicional “remada viking“, comemoração em que torcida e atletas simulam estarem remando um barco.
Após a partida, Haaland evitou grandes comentários sobre o confronto contra o Brasil.
“Jogar contra o Brasil nas oitavas? Vai ser algo que a gente vai precisar enfrentar. As possibilidades são pequenas”, disse o norueguês à Fifa.
O discurso, no entanto, é semelhante ao que ele disse antes da partida contra a França, pela fase de grupos. À época, Haaland foi “um pouco realista”, como ele definiu, ao afirmar que os norugueses deveriam ficar felizes pelo conquistado até ali, já que “eles [franceses] provavelmente vão ganhar da gente e ser campeões”.
O camisa 9 tem cinco gols na Copa e está atrás somente de Lionel Messi e Kylian Mbappé, que têm seis.
O técnico da Noruega, Stale Solbakken, foi outro que evitou falar do confronto contra o Brasil em entrevista coletiva após o triunfo sobre a Costa do Marfim.
“Vamos falar mais adiante. Temos de deixar que as coisas se acalmem hoje e depois vamos falar sobre isso. Mas agora eu gostaria de não analisar os próximos jogos”, respondeu.
Solbakken é técnico da Noruega desde 2020 e construiu esse time ancorado nas valências de Odegaard, o pensador, e Haaland, o executor. A equipe ficou à frente da Itália para se classificar à Copa do Mundo, torneio que não disputava há 28 anos.
A seleção tem como coadjuvantes de luxo Alexander Sorloth, que forma a dupla de “torres” do setor ofensivo com Haaland —ambos têm 1,95 m de altura, o ponta-direito veloz Antonio Nusa e o meio-campista Patrick Berg, além dos menos baladalados Torbjørn Heggem e Kristoffer Ajer, na zaga, e o goleiro Ørjan Nyland.
Frederik Aursnes e Oscar Bobb são boas opções vindo do banco de reservas, assim como mudaram a dinâmica da partida contra a Costa do Marfim.
noticia por : UOL





