Principal alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) nesta sexta (3) sob a suspeita de liderar um esquema de lavagem de dinheiro que vai do PCC (Primeiro Comando da Capital) às fraudes do INSS e do banco Master, o empresário Victor de Oliveira Shimada chegou a ser preso no fim de 2024 e acabou solto 25 dias depois, ao conseguir um habeas corpus no TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).
O empresário é considerado foragido. A defesa dele declarou em nota que ainda não teve acesso aos autos da operação desta sexta. “Somente após a análise técnica completa dos autos será possível qualquer manifestação específica acerca do conteúdo da investigação”, afirmou.
Shimada foi preso preventivamente (sem prazo) na época, acusado de desviar R$ 35 milhões do banco Votorantim. A decisão que decretou sua prisão, assinada pela juíza Bárbara de Lima Iseppi, concluiu que mantê-lo em liberdade seria um risco à ordem pública e à própria condução das investigações.
O principal ponto envolvia o risco de fuga porque Shimada viajou ao México dias após a fraude no banco, em meados de setembro. Só voltou em dezembro. Ele foi e voltou sem nenhuma bagagem em mãos, o que para a magistrada se revelou um indício de reiteração delitiva.
Pesou ainda o fato de que o empresário mantinha também uma empresa no Panamá, um paraíso fiscal. A prisão, escreveu a juíza na época, “se mostra imprescindível para o desenrolar das investigações, considerando que, em liberdade, Victor poderá frustrar a obtenção de provas e eliminar eventuais provas dos fatos, bem assim a identidade de eventuais fraudadores envolvidos”.
Shimada foi preso em 27 de dezembro de 2024 e ficou inicialmente na sede da PF. Depois foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros.
Não ficou lá por muito tempo.
Em 17 de janeiro de 2025, o juiz Nino Toldo, do TRF-3, atendeu a um pedido de sua defesa e concedeu habeas corpus para colocá-lo em liberdade, o que ocorreu efetivamente no dia 21.
Ele entendeu que os bens de Shimada já haviam sido bloqueados, que seu passaporte fora apreendido e sua residência, por sua vez, revistada —o que reduziria o risco de fuga ou reiteração delitiva. Para ele, ter experiência com criptoativos, como citava a PF, e alto poder aquisitivo não são elementos capazes de justificar a prisão preventiva.
Shimada, então, passou a usar tornozeleira eletrônica e ficou sujeito a outras medidas restritivas, como a proibição de deixar a comarca sem avisar a Justiça.
O empresário acabou condenado em julho do ano passado a cinco anos de prisão em função dos desvios. A sentença estabeleceu que a pena seria cumprida em regime semiaberto. Determinou que ele se apresentasse mensalmente em juízo e a retirada de sua tornozeleira eletrônica.
Meses depois, Shimada sumiu.
Documentos obtidos pela Folha não trazem exatamente a data em que ele desapareceu dos olhos das autoridades, mas fato é que o empresário foi alvo de uma nova busca e apreensão no ano passado, num caso também relacionado a drogas, e àquela altura já não se encontrava mais em sua residência nem em nenhum outro endereço alvo das diligências.
Em um deles, policiais encontraram sua ex-mulher, Camila, que declarou aos policiais que ambos haviam se separado. A operação desta sexta terminou da mesma forma.
Shimada, segundo as investigações, é apontado como o controlador de uma rede de lavagem de dinheiro montada a serviço do tráfico de drogas. Na quarta (1º), ele foi alvo de sanções dos EUA por uma suposta ligação com o PCC. Sua antiga secretária, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada pelos EUA. Ela foi presa na sexta.
Operava por meio de duas empresas —a Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros, e a Victory Trading, da qual é sócio— usadas para receber e dissimular recursos de origem ilícita. O nome dele surgiu na Operação Saturno, inquérito da Polícia Civil de São Paulo que começou em 2024.
O relatório final, remetido à Justiça em maio, sustenta que a estrutura de Shimada se cruza com outras grandes investigações em curso no país: as fraudes do INSS e do Banco Master e a Operação Carbono Oculto, ainda que indiretamente.
Parte das ligações se dava pelas chamadas contas “bolsão”, usadas para lavar dinheiro de diferentes origens criminosas segundo as investigações.
noticia por : UOL






