8 de julho de 2026 - 19:53

Flávio Bolsonaro põe o clã acima de tudo

A relação com os Estados Unidos é o maior desafio enfrentado pela política externa brasileira —pela importância que a potência sempre teve para nós e pela imprevisibilidade de seu prepotente presidente.

Desde a volta de Donald Trump, especialistas de diferentes quadrantes discutem a melhor maneira de defender seus países do ocupante de turno da Casa Branca.

Em artigo publicado na Cebri-Revista, há cerca de um ano, o professor da USP Feliciano de Sá Guimarães já defendia que o Brasil adotasse, diante da potência do norte, uma estratégia sofisticada, que combinasse contenção e engajamento em diferentes frentes, evitando seja o confronto total, seja a completa submissão. Discernindo quando e em torno do que é possível negociar e respondendo com firmeza à pressão exorbitante. Sobretudo, procurando não reduzir a relação a um tópico específico —comércio, conflitos mundiais ou segurança regional.

Parece ser esse o percurso que a política exterior brasileira, conduzida por experientes diplomatas, tenta seguir, com graus variados de êxito. As negociações sobre o tarifaço; a atitude prudente diante da invasão da Venezuela e o sequestro do então presidente Maduro, de um lado; e as manifestações do Palácio do Planalto a respeito do enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas, de outro, indicam que a abertura para negociar quando possível e a prontidão para conter a eterna prepotência trumpista são opções que a diplomacia brasileira tem escolhido seguir.

O caminho é acidentado e vem se estreitando com a proximidade das eleições e dada a conexão política entre a extrema direita nacional e o trumpismo. É clara como o dia a intenção dos Bolsonaros de mobilizar o apoio americano em benefício do candidato presidencial do clã, mesmo com escancarado prejuízo para o país. Mas desde quando isso lhes importa?

Basta ver o patético zigue-zague das posições de Flávio Bolsonaro em face do tarifaço imposto aos produtos brasileiros há um ano.

Celebrou nas redes sociais as exorbitantes tarifas de 50%, decretadas em julho de 2025. Seu irmão Eduardo jactou-se de ter contribuído para que elas acontecessem e viessem misturadas a medidas contra ministros do governo e do Supremo.

Em maio deste ano, o pré-candidato à Presidência cavou audiência com Trump, na qual afirma ter pedido o fim das tarifas. No mesmo dia, o governo americano anunciou a imposição de taxa de 25% sobre os produtos nacionais.

Em junho, com 47% dos brasileiros responsabilizando-o pelo tarifaço ( pesquisa da Quaest), Flávio Bolsonaro enviou carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual pediu o adiamento da aplicação das tarifas até as eleições; prometeu que, eleito, formaria um grupo de transição com representantes do governo americano e assumiu “compromisso legislativo” de que o Pix não seria internacionalizado.

Nesta semana, falando, em Washington, em audiência pública do USTR —órgão responsável pela política comercial—, disse que as tarifas beneficiariam o presidente Lula.

A politização de conflitos com os EUA de Trump, com exclusivo propósito eleitoral, não interessa ao país. Só a quem põe a ambição de poder de seu clã cima de tudo.


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noticia por : UOL

8 de julho de 2026 - 19:53

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