5 de agosto de 2026 - 12:54

Imigração ilegal: União Europeia continua sem saber como agir

A coisa mais desconcertante ouvida nesta terça (4), na reunião extraordinária (por videoconferência) dos ministros do Interior da União Europeia, foi a declaração do Comissário Europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, segundo a qual a crise de Ceuta já terminou e a Europa “passou com folga no teste”.

O que autoriza essa afirmação, segundo Brunner, é o fato de que nenhum dos 72 mil imigrantes (números oficiais) que entre 30 e 31 de julho cruzaram a fronteira do Marrocos em direção ao enclave espanhol de Ceuta chegou ao continente europeu e, portanto, não há nenhum risco para o espaço Schengen (ou seja, a livre circulação entre os 29 países europeus que dele fazem parte).

Afora o fato de que a imprensa espanhola revelou, ao contrário, que há sim chegadas à Espanha, a situação em Ceuta está longe de ser tranquila e a crise longe de ser superada. Segundo os números oficiais, teriam restado 2 mil imigrantes ilegais, dos quais cerca da metade são menores de idade, que no entanto não têm possibilidade de serem acolhidos nos centros de acolhimento já superlotados. Entre os outros que permaneceram em Ceuta estariam também palestinos de Gaza e afegãos.

Mas como se não bastasse, justamente enquanto Brunner fazia exibição de otimismo, espalhava-se o alarme por uma nova campanha nas redes sociais no Marrocos que está agendando para 15 de agosto outro assalto a Ceuta. Visto o amplo aviso prévio, dificilmente desta vez as autoridades espanholas se deixarão pegar de surpresa, mas a mensagem é clara e há poucos motivos para ter tranquilidade.

Quem deixou isso bem claro foi o Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, dom Luis Argüello, com uma breve publicação no X; ele também falou da invasão de Ceuta como um teste, mas com um significado totalmente diferente em relação ao defendido pelo Comissário Europeu Brunner: “A biopolítica – escreveu dom Argüello – é a chave da atual estrutura de poder no mundo. Joga-se com a vida, e as pessoas – seus sonhos, a fome, a sexualidade e os dados – são usadas para obter lucros e poder. As migrações são parte dessa estratégia. A invasão de Ceuta é um teste. A demografia é uma arma”.