13 de setembro de 2026 - 2:03

Eros Grau: do elogio ao ex-aluno Alexandre de Moraes à crítica aos excessos do STF

Uma das vozes influentes a demonstrar preocupação com a crise no STF é a de um ex-ministro que também foi professor de Alexandre de Moraes, o integrante mais problemático da corte: a de Eros Grau.

Muita coisa mudou em dez anos.

Em setembro de 2016, Grau disse à Gazeta do Povo que temia os juízes “porque eles vão além da moldura do texto [da lei]”. Cinco meses depois, quando Michel Temer indicou Alexandre de Moraes — ex-aluno seu na Faculdade de Direito da USP — para uma vaga no STF, Grau falou por telefone com a Folha de S.Paulo e desejou ao antigo aluno “prudência sempre”, pedindo que fosse “prudente também em 2037, quando ainda vai estar lá”. Em 8 de setembro de 2026, Grau foi um dos 13 ministros aposentados que assinaram a carta enviada a Edson Fachin, presidente do STF, descrevendo o momento atual como a “mais aguda crise” da história do tribunal.

“Prudência sempre”

Em 6 de fevereiro de 2017, Moraes foi indicado por Temer para a vaga aberta pela morte de Teori Zavascki. Grau conversou por telefone com a Folha nos dias seguintes. Disse que a filiação partidária do então ministro da Justiça (Moraes era filiado ao PSDB) “não é impedimento” para o cargo — citou como precedentes Paulo Brossard e Nelson Jobim, que exerceram atividade política antes de chegar ao STF. Descreveu o indicado como “preparado”. E acrescentou: “Não existe processo mais importante do que o outro: a Lava Jato é tão importante quanto o habeas corpus de alguém que foi preso porque estava usando maconha e chegou até o Supremo.” Moraes tomou posse em 22 de março de 2017. Em setembro de 2025, tornou-se vice-presidente da corte sob a presidência de Fachin.