Parar a escalada das leis sobre o fim da vida e a legalização da eutanásia é possível, se houver vontade. O que acaba de acontecer no Reino Unido demonstra isso. Após um debate realizado na noite de sexta-feira, 11 de setembro, no qual ambos os lados apresentaram suas razões, a Câmara dos Comuns votou contra a proposta de lei que teria introduzido o suicídio assistido, com 286 votos contrários e 270 a favor, uma maioria de 16 votos. Após uma vitória importante semelhante na Escócia, em 17 de março deste ano, e após o exame mais intenso já realizado na Inglaterra e no País de Gales sobre a questão do suicídio assistido nos últimos anos, os parlamentares de Westminster rejeitaram a proposta de lei. Teve participação nesse resultado a ação dos bispos da Igreja Católica e Anglicana e das associações civis pró-vida, que se mobilizaram de forma ampla contra o suicídio assistido, demonstrando que com a oração, a razão, a organização e a coragem é possível fazer prevalecer o bem comum e a civilidade para todos.
O projeto de lei sobre o suicídio assistido assinado por Kim Leadbeater havia sido apresentado na Câmara dos Comuns, com uma ampla maioria trabalhista, desde o início da legislatura, há dois anos, e previa-se que se tornaria lei sem dificuldades. Na segunda leitura, em novembro de 2024, o projeto de lei havia sido aprovado com uma maioria de 55 votos, que depois caiu para 23 votos na terceira leitura, em junho de 2025. O projeto de lei passou então para a Câmara dos Lordes, onde, devido ao encerramento dos prazos, estagnou definitivamente no último dia 27 de abril.
Posteriormente, o projeto de lei foi reapresentado, em uma forma substancialmente idêntica, pela deputada Lauren Edwards na Câmara dos Comuns, onde na sexta-feira foi rejeitado em segunda leitura por deputados de todo o espectro político, graças também à união de propósitos da líder conservadora Kemi Badenoch, do líder liberal-democrata Sir Ed Davey e do líder do Reform UK, Nigel Farage, unidos na oposição à proposta. A eles se juntaram importantes expoentes trabalhistas, como Angela Rayner, Wes Streeting e Shabana Mahmood, secretária de Estado para Assuntos Internos, e até mesmo os extremistas de esquerda de Jeremy Corbyn.
O projeto de lei sobre o fim da vida teria permitido que adultos com uma expectativa de vida presumida inferior a seis meses solicitassem assistência para encerrar a própria vida, respeitando determinadas garantias previstas pelo texto. Entre elas, estava o requisito de que a pessoa que solicitava o suicídio assistido obtivesse a aprovação de dois médicos e de uma comissão de especialistas; no entanto, as normas incluíam pouquíssimas garantias que protegessem as pessoas vulneráveis de serem coagidas a encerrar a própria vida, além de não preverem qualquer melhoria nos cuidados paliativos.
A rejeição de sexta-feira deve marcar uma interrupção definitiva da iniciativa dos trabalhistas para esta legislatura até as próximas eleições de 2029, visto que o novo Primeiro-Ministro Andy Burnham não escondeu sua decisão de preferir uma boa lei sobre cuidados paliativos e de não querer apoiar a proposta de “fim da vida” do seu partido, enquanto o seu antecessor Starmer, desde 2024, havia apoiado a legalização do suicídio assistido. A mobilização da sociedade civil, dos médicos e das Igrejas cristãs inglesas foi total e transparente — com vigílias de oração, manifestações, passeatas e envio de e-mails — para sensibilizar cada deputado individualmente e todos os líderes partidários, publicamente e com grande clareza e coerência.
A Igreja Católica interveio por meio de diversos bispos contra a aprovação do projeto de lei e, assim, o arcebispo John Sherrington, arcebispo de Liverpool e bispo responsável pelas questões relativas à vida na Conferência Episcopal, expressou, em nome de seus confrades, sua gratidão e agradecimentos àqueles que trabalharam para impedir que o projeto de lei seguisse o trâmite parlamentar, além de sua gratidão às associações de direitos dos deficientes e aos profissionais do setor jurídico e de saúde por levantarem a voz em defesa da “dignidade e da sacralidade de toda vida”.
Da mesma forma, a Academia João Paulo II para a Vida e a Família acolheu com satisfação a rejeição do projeto de lei sobre o suicídio assistido na Câmara, em uma votação que “protege as pessoas vulneráveis e defende a dignidade da vida humana”. A igreja anglicana e sua arcebispa Sarah Mullally também combateram abertamente o projeto de lei desde 2024 até o último minuto, apelando pelo voto contrário dos deputados. Trata-se de uma lição que deveria ser compreendida pelos responsáveis da Pontifícia Academia para a Vida e pela presidência da Conferência Episcopal Italiana (CEI), que na Itália estão pressionando por uma lei sobre o suicídio assistido, para que voltem a reafirmar as razões da vida, a força da oração e tenham a coragem de agir em vez de seguir o mundo em sua escalada anti-humana.
© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Fermare il suicidio assistito si può. La lezione dell’Inghilterra.
noticia por : Gazeta do Povo






