2 de outubro de 2026 - 4:26

PF apreende R$ 1,8 milhão e investiga indícios de compra de votos no Amapá

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e de afastamento cautelar de duas servidoras públicas no Amapá durante investigação nesta quinta-feira (1º), conduzida em conjunto com o Ministério Público Eleitoral, para apurar possíveis crimes eleitorais.

Ao todo, foi apreendido aproximadamente R$ 1,85 milhão, além de euros e dólares. A Justiça Eleitoral também determinou o afastamento temporário de uma servidora do governo e de outra da Assembleia do Amapá até o fim do segundo turno das eleições.

A polícia apura a suposta prática de compra de votos, coação eleitoral e o uso indevido da máquina pública para benefício eleitoral. Ao todo, sete são investigados, incluindo a deputada estadual Aldilene Souza (PDT), candidata à reeleição e aliada do atual governador Clécio Luís (União Brasil) –ele não é alvo da operação.

A investigação identificou indícios de que o programa estadual Renda para Viver Melhor e a distribuição de cestas básicas estariam sendo manipulados em troca de apoio político.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, a inclusão e a permanência de famílias vulneráveis no programa assistencial dependiam da promessa de voto em candidatos apoiados pelo grupo, havendo relatos de ameaças de cancelamento do benefício caso o apoio não fosse confirmado nas urnas.

A Promotoria Eleitoral também aponta que o número de beneficiários do programa social, anteriormente estabilizado em aproximadamente 10 mil, teria alcançado 13.305 em junho de 2026. Para a investigação, esse aumento e o conjunto de comunicações e documentos obtidos justificam o aprofundamento da apuração.

O Governo do Amapá disse, em nota, que as investigações não possuem relação com a gestão institucional ou com os procedimentos do Renda Para Viver Melhor. A Seas (Secretaria de Estado da Assistência Social) repudiou a “tentativa de utilização de programas assistenciais para fins políticos ou eleitorais.”

“A pasta assegura que todas as ações e concessões de benefícios seguem critérios rigorosamente técnicos e legais, pautados pela transparência, impessoalidade e pelo compromisso de atender às famílias em situação de vulnerabilidade social”, acrescenta.

Aldilene Souza é do mesmo partido do ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, indicado pelo presidente do Congresso Nacional Davi Alcolumbre (União Brasil) –ambos também não são citados na operação. Góes foi governador por quatro mandatos no estado.

A deputada faz campanha nas redes sociais para o atual governador e candidato à reeleição, também aliado de Alcolumbre. Clécio Luís ocupa o segundo lugar das pesquisas desde o início da campanha. O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, principal rival do grupo político do presidente do Congresso, lidera a corrida para o Executivo estadual.

A reportagem entrou em contato com as assessorias de comunicação e jurídica da parlamentar alvo da operação, que não respondeu até a publicação deste texto. O governador Clécio Luís também foi procurado sobre sua aliança com Aldilene Souza. Ele também não se manifestou.

noticia por : UOL

2 de outubro de 2026 - 4:26

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