A reserva foi criada para reassentar famílias do povo Anacé afetadas pelos projetos industriais do Complexo do Porto do Pecém. A área, de cerca de 543 hectares, começou a ser estruturada a partir de um acordo firmado em 2013 entre o Governo do Ceará, a Funai, a Petrobras e o Ministério Público Federal, e foi oficialmente entregue em 2018. A reserva abriga 163 famílias indígenas distribuídas em aldeias como Baixa das Carnaúbas, Currupião, Matões e Bolso, e se tornou a primeira reserva indígena implantada pelo Estado do Ceará.
O território, no entanto, está inserido em uma das regiões mais sensíveis do estado para a segurança pública. Nos últimos anos, o entorno do Porto do Pecém tornou-se estratégico para organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas, em razão das conexões marítimas com a Europa e da infraestrutura logística disponível. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Caucaia ocupou a oitava posição entre os municípios mais violentos do país em 2024, com taxa de 68,7 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes.
Os moradores da Taba dos Anacés acompanham essa realidade de perto. Muitos trabalham fora da reserva, estudam nas cidades vizinhas ou dependem dos serviços urbanos. O vínculo com o exterior é permanente. Por isso, explica Thyago Anacé, “seria impossível que a comunidade permanecesse indiferente ao avanço da violência”.
Segundo ele, a reserva não está sob domínio de facções e não enfrenta impedimentos para tocar suas atividades cotidianas. Ainda assim, basta olhar para os arredores para perceber a presença de grupos criminosos. “Todo lado que a gente se vira aqui, a gente tem a presença de facções”, afirma.
Atividades do crime vão muito além da violência armada
Na avaliação da liderança indígena, a influência dessas estruturas ultrapassa o tráfico de drogas. Ele descreve uma presença enraizada em diferentes atividades econômicas e sociais, capaz de exercer controle sobre territórios e populações. Para ele, concentrar o debate apenas na violência armada muitas vezes impede a compreensão do alcance real dessas organizações.
noticia por : UOL






