Todos eles são nomes fundamentais para a construção da São Paulo moderna e brutalista que conhecemos, a imagem da cidade que ficou cravada no imaginário e, por coincidência, têm um lado de sua obra arquitetônica, o mobiliário, relembrado agora numa série de relançamentos. Quando Gian Carlo Gasperini, Roberto Aflalo e Vilanova Artigas pensavam em novas construções para um Brasil que se modernizava, os traços dos móveis dentro desses espaços precisavam seguir esse desejo de arrojo e sofisticação.
Uma dessas peças volta à tona agora quase que por acaso. Um desenho antigo do arquiteto Gian Carlo Gasperini acaba de ser descoberto nos arquivos de sua firma e deu origem a uma novíssima luminária. A peça, uma estrutura circular de madeira que emoldura um globo luminoso, foi lançada na galeria Metrópole, em São Paulo, que Gasperini desenhou ao lado de Salvador Candia, numa edição criada pela Etel. A luminária ganha forma física quatro décadas depois dos primeiros esboços do arquiteto.
Em paralelo, a mesma casa de design lança uma nova versão da mesa Aranha, desenho do arquiteto Roberto Aflalo, que foi sócio de Gasperini. Antes feito de madeira, na década de 1950, o móvel criado para o Estúdio Branco & Preto ressurge todo em aço. Os lançamentos embalam a celebração do centenário de Gian Carlo Gasperini e Roberto Aflalo, fundadores da Aflalo/Gasperini, firma ainda em atividade.
PONTO DE APOIO Outro dos maiores arquitetos do país, Vilanova Artigas, conhecido pela sede da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo e pelo edifício Louveira, também acaba de ter relançada, pela Dpot, a cadeira Preguiça, um de seus mais celebrados projetos de mobiliário. A peça de madeira foi criada na década de 1940 como parte dos interiores da seguradora Equitativa, em São Paulo. A empresa ocupava todo o 27º andar do CBI Esplanada, projeto do polonês Lucjan Korngold no vale do Anhangabaú.
Um livro lançado por ocasião da reedição da Preguiça, “Vilanova Artigas, Designer”, uma parceria com a revista Monolito, lembra que o arquiteto então acabava de voltar de uma temporada de estudos nos Estados Unidos. Seu projeto do interior da Equitativa, que teve a colaboração de artistas como Francisco Rebolo, é considerado um ponto importante de transição em sua arquitetura, que deixava de olhar para Frank Lloyd Wright como referência e buscava raízes tanto no modernismo carioca quanto noutros mestres que fizeram carreira no território americano, entre eles o austríaco Richard Neutra —a cadeira Boomerang, deste último, foi uma inspiração declarada para a criação da Preguiça.
NA PONTA DA LÍNGUA O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, encerra o ciclo de mostras deste ano, em dezembro, com a exposição “Reescrever o Mapa/ Tomar a Palavra”. Organizada por Keyna Eleison, que já comandou o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a seleção tem obras de artistas como Aleijadinho, Arthur Bispo do Rosário e Vik Muniz, que pensam as variações da língua portuguesa em territórios antes colonizados nas Américas, na Ásia e na África.
BRASIL BRASILEIRO Na ressaca das eleições, a galeria paulistana Galatea abre no mês que vem uma mostra dedicada a Glauco Rodrigues, um dos grandes nomes da arte do país, que revirou símbolos nacionais, entre eles a própria bandeira verde e amarela, para construir toda uma iconografia crítica da ideia de brasilidade.


